Quem passa pela avenida Ademar Polo Filho, no Parque dos Lima, não imagina o perigo escondido pelas paredes do prédio levantado diante da rotatória da Chevrolet e abandonado há mais de duas décadas. A ineficiência do Estado e a falta de ação das autoridades estão colocando em risco moradores de uma área nobre e valorizada de Franca.
O abandono do imóvel pertencente ao governo do Estado aumentou a sensação de insegurança dos moradores daquela região e fez, também, surgir um cenário perfeito para a transmissão de doenças. Espécie de herança maldita que ninguém quer, o prédio foi adotado por moradores de rua e criminosos. Transformou-se em esconderijo, ponto de prostituição e de consumo de drogas. O piso térreo exala forte mal cheiro. Latas de refrigerante usadas para fumar crack, sofás velhos, armários, roupas, lixo e até um fogão improvisado “decoram” o local. As paredes estão pichadas. “Deus salva”, diz uma das mensagens.
O prédio de seis andares se transformou em observatório de luxo para bandidos monitorarem a rotina dos moradores e do comércio local. “Eles ficam vigiando os carros na rua e as residências vizinhas. Aproveitam para agir quando não tem ninguém por perto. Aumentou muito o índice de roubos aqui no bairro. Perdemos completamente a segurança”, disse o operador de usina, Gederson Becker. “Sábado, um adolescente entrou lá para desafiar, saiu sem celular e sem tênis”, completou Lúcia Brigagão.
O risco de ser assaltado não é tudo. Minas que brotaram no solo deram origem a duas piscinas de água parada nas laterais do prédio. Lugar melhor para criar o mosquito da dengue não há. No começo da semana, a água começou a ser jogada por dois canos no meio da pista da avenida Ademar Polo Filho. Perfeito para veículos aquaplanarem.
Não bastassem os criminosos e os piscinões, causa preocupação a completa falta de segurança no local onde seriam instalados os elevadores no pátio de entrada. Não há portas ou qualquer tipo de proteção. Basta um simples descuido e a queda no fosso, de aproximadamente seis metros de profundidade, será inevitável.
Como não há vigias, nem cadeados no portão, qualquer um, inclusive, crianças, pode entrar no prédio. “Por conta dos perigos de crime, sanitário e de acidentes, fizemos um abaixo assinado pedindo providências e entregamos para as autoridades. Estamos aguardando uma resposta”, concluiu Gederson Becker.
Ação
Após receber denúncias de que o “esqueleto” transformou-se em moradia para diversas pessoas, o vereador Della Motta (PTN) fez um requerimento na semana passada para que aconteça uma intervenção conjunta da Vigilância Sanitária, Guarda Civil e da Secretaria de Ação Social. “O prédio transformou-se em ponto de observação dos bandidos. Os restaurantes naquela região, como o McDonalds, já foram alvos dessas pessoas, que frequentemente vão lá para incomodar os funcionários e clientes”, disse.
Colaborou Marcella Murari
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