Num consultório médico, uma senhora concordava com um nosso colega de espera a respeito do medo da morte. Oportunidade permitiu-me entabular conversação. Minha primeira opinião foi a tão surrada entre os espíritas: “ninguém morre”, dita em viés doutrinário logo amenizado com a expressão: “não obstante seja a morte a única certeza absoluta que carregamos”. Acudindo o desconcertante vazio filosófico que provocara, ajuntei: a morte existe para o corpo físico, e o que importa é que a essência espiritual, o ‘eu’, não morre, jamais. E o tal medo contempla duas situações: a dos que desconhecem a realidade espiritual e a daqueles que sabem que tem contas a prestar.
Mas, insisto — asseverou a senhora, demonstrando tendência fisioculturista — em que o nosso corpo é importante demais para ser tão desprezado! Concordei: sim, é ele instrumento de que se serve o espírito para manifestar-se na dimensão material, razão de o instinto de conservação enviar-nos a um consultório médico, que pode curar, mas não impede a morte.
Observem que os tijolinhos da nossa construção física, aos quais denominaram átomos, nunca se destroem e se prestarão para a construção de novos corpos. Tudo evoluindo para estágios superiores da vida. E sugeri: busquemos no fluido cósmico universal, no seu momento primordial, de pureza divina, a origem de tudo, e teremos nos tranquilizado quanto à ideia de fim, passando a admitir a eternidade do espírito e a constante transformação, de Lavoisier.
Ah! É preciso neutralizar a ideia de perda, quando morre o corpo de alguém! Então, lembremos que a essência desse alguém vai continuar viva!
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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