A cobrança da CIP (Contribuição de Iluminação Pública) em Franca deve voltar a ser discutida. O prefeito Gilson de Souza (DEM) anunciou nessa sexta-feira que pretende elaborar um projeto para a criação da taxa e enviá-lo à Câmara Municipal para aprovação. A informação foi dada durante a primeira grande entrevista concedida por Gilson desde que assumiu o cargo. Ele participou por quase duas horas do programa Hora da Verdade, comandado por Leandro Vaz e Corrêa Neves Júnior, na rádio Difusora AM.
Gilson criticou a baixa arrecadação do município e lembrou o ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), ao comparar o orçamento de Franca com o de outros municípios menores. “Vocês sabem quanto é o orçamento de Santana do Parnaíba, que tem de 110 mil habitantes? R$ 780 milhões. Franca, com 350 mil habitantes, não chegará a R$ 700 milhões.”
O prefeito afirmou que sem dinheiro não é possível resolver os problemas de Franca. “São muitos problemas que a cidade tem, e você depende de receita. Sem dinheiro, você não faz. Não tem varinha mágica de nenhum gestor público.” Gilson, então, defendeu a criação da taxa de iluminação. “É necessária. Todos os municípios têm. Por que Franca não pode ter? É pouquinho. Todo mundo tem que participar um pouquinho. Não dá para ficar só cobrando do poder público”, disse, sem revelar valores.
A proposta da CIP é um projeto antigo do secretário de Finanças, Sebastião Ananias, que ocupou o mesmo cargo nos dois mandatos do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Em 2006, Sebastião Ananias chegou a elaborar um projeto a respeito. A ideia, à época, era cobrar R$ 6 por conta de luz que ultrapassasse o consumo de 80 quilowatts, o que renderia à Prefeitura uma receita extra de R$ 400 mil por mês. Mas houve forte oposição até mesmo entre a base governista na Câmara. O ex-prefeito Sidnei Rocha acabou retirando o projeto para evitar o desgaste.
Agora, Gilson prometeu levar a ideia adiante. “Vou pedir um estudo, criar um projeto e contar com a Câmara para aprovar”, disse. Junto com a taxa de iluminação, Gilson quer instituir a taxa de incêndio, que segundo ele, seria de R$ 1 por mês por imóvel. “É muito pouquinho.”
Ao ser questionado sobre se mexeria em outros impostos, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ISS (Imposto Sobre Serviços), Gilson respondeu que fará o que for preciso para garantir a qualidade de vida da população mais carente. “Faremos um diagnóstico das receitas municipais, e o que tiver que fazer faremos, sem penalizar os mais necessitados.”
São José
Gilson também falou sobre o valor da tarifa de ônibus cobrada pela Empresa São José. Na quinta-feira, a um grupo de vereadores, o gerente da empresa, Delismar Rodrigues, anunciou que a intenção é pedir o reajuste da tarifa para R$ 6,65. Gilson evitou adiantar seu posicionamento a respeito. “Ainda não fui convidado pela empresa a discutir valores.”
Já sobre as promessas de campanha de instituir uma tarifa simbólica de R$ 1 aos fins de semana e de reduzir a tarifa para R$ 3 durante a semana, o prefeito disse que vai começar agora a dialogar com a São José sobre a redução aos fins de semana. “Tudo tem seu tempo e sua hora. Agora é hora de começar a conversar.”
A respeito da tarifa a R$ 3, o prefeito se esqueceu da promessa feita ainda na campanha, durante o debate de candidatos a prefeito transmitido pela EPTV, no dia 25 de setembro do ano passado. “Esse outro ponto que você falou a R$ 3, não posso... Talvez haja um erro de interpretação. Não tem nada. A minha proposta foi a de R$ 1 nos fins de semana.”
No debate da TV, ao responder a uma pergunta sobre transporte, GIlson foi taxativo: “Vamos mexer na tarifa. Vamos fazer um estudo. É possível, sim, uma tarifa menor, uma tarifa a R$ 3 para o trabalhador. É possível.” O trecho em que GIlson faz a afirmação foi reproduzido ontem pelo Portal GCN.
Centro Pop
Outro assunto polêmico abordado foi o Centro Pop. Gilson defendeu a permanência do serviço e disse que estuda até ampliá-lo, mas em um novo endereço ainda não divulgado. Questionado por um ouvinte se aceitaria transferir o Centro para os bairros Santa Rita e Santa Cruz, seus redutos eleitorais, o prefeito desconversou.
Saúde
A saúde também foi comentada, especialmente, o eterno problema da falta de médicos na rede municipal. Falou que os atendimentos serão prioridades, que retomou as consultas no Ambulatório de Saúde Mental, mas não soube dizer se pretenderá seguir o atual modelo que se baseia na contratação de médicos por meio de um chamamento público, que é atualmente questionado na Justiça do Trabalho, ou se deve regularizar os quadros com novos concursos.
Ele evitou também dar prazos para amenizar os problemas da pasta. “Não sou de falar de prazos. Todo mundo pede data. E não é assim. Se for assim, a gente não consegue trabalhar. O que a gente tem de fazer é trabalhar.”
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