O que era para ser uma visita de vereadores ao Centro Pop, que atende moradores de rua na região central, se transformou em um encontro em defesa da manutenção dos serviços. Desde o início do ano, os vereadores vêm criticando o Centro e pediram na tribuna a extinção dos atendimentos, uma vez que o número de moradores em situação de rua na cidade sextuplicou desde que o serviço começou a funcionar, em setembro de 2013, e os índices de criminalidade na região onde o atendimento funciona também aumentaram.
Em virtude da repercussão dos discursos feitos na Câmara, o secretário municipal de Ação Social, Edgar Ajax Filho, fez um convite aos vereadores para que visitassem na tarde desta quinta-feira e conhecessem de perto a rotina de atendimentos. Mas a visita acabou se resumindo a uma série de discursos e apresentações protagonizadas por assistentes sociais, promotores e defensores públicos em favor da continuidade dos serviços. De preferência, no local onde hoje são prestados.
Um dos que defenderam o atendimento foi o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges. Segundo ele, a política de atendimento à população em situação de rua é um dever constitucional que deve ser cumprido. Apesar de defender a permanência do Centro, o promotor fez questão de entregar ao secretário de Ação Social um documento com 34 questionamentos a respeito de como é feita essa política no município. “São quesitos que vão nos dar um diagnóstico mais preciso sobre a política de atendimento em Franca e, claro, isso abrange o Centro Pop. Só, então, será possível decidir sobre se Franca deve ter ou não essa política e a forma como ela deve ser desenvolvida. O fato é que é um dever do município atender essas pessoas.”
As assistentes sociais que trabalham no Centro também apresentaram uma série de números sobre o serviço, mas afirmaram que a eficácia do atendimento não pode ser medida apenas numericamente. Entre os dados apresentados, está o número de pessoas que ao longo de três anos e quatro meses conseguiram deixar as ruas. Ao todo, segundo o levantamento, teriam sido 95 pessoas dos mais de 4.800 atendimentos prestados por ano por profissional. Além disso, apenas 450 pessoas foram encaminhadas a comunidades terapêuticas para tratamento. Não há informações sobre reincidência.
Destoantes
Os únicos a usarem a palavra para criticar a eficiência do serviço prestado pelo Centro Pop foram os vereadores Corrêa Neves Jr. (PSD) e Kaká (PSDB).
Corrêa voltou a defender a extinção do Centro Pop. “O fato é que em 2012 havia, segundo dados da própria Prefeitura, 150 moradores de rua. Em 2016, esse número foi de pouco mais de 800, o que significa seis vezes mais. Esses números não são contestados nem foram levantados por mim, mas mostram que a forma como os atendimentos do Centro Pop, que é voltado a retirar as pessoas das ruas, não está funcionando. Pelo contrário”, disse.
Ele, que defende a extinção do serviço, disse não ser contrário à política de atendimento aos moradores de rua. “Quem é contra o Centro Pop não é contra a população de rua. Eu defendo que devemos ter um programa para atendê-los, mas é necessário que este programa funcione, o que não é o caso do Centro Pop.”
Para Corrêa, é preciso aproveitar melhor o esforço de todos os profissionais que hoje prestam serviços naquele local. “Apesar de toda a dedicação e paixão dos servidores, estamos perdendo esta batalha.”
O vereador Kaká também se posicionou. Ele preferiu falar em reestruturação em vez de extinção. “Temos que mudar. De fato, o que vemos é que não está adequado. Mas temos que tentar, tentar de novo e tentar de outro jeito em outro local.”
Ao final do encontro, o vereador cobrou quais serão os próximos passos do governo municipal, uma vez que já foi anunciada a mudança de endereço do Centro. Novos encontros devem continuar acontecendo. “O verdadeiro diálogo é aquele estabelecido com quem pensa diferente. Não acho que o Centro Pop seja o melhor caminho, mas conversando vamos encontrar uma solução”, disse Corrêa.
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