Em junho, a Empresa São José, responsável pelo transporte público na cidade, deve entregar à Prefeitura um estudo com o pedido de reajuste da tarifa que hoje é de R$ 3,80, uma das mais caras do país e a mesma praticada na capital. Segundo adiantou aos vereadores nesta quinta-feira o gerente da empresa na cidade, Delismar Rodrigues, o valor pedido deverá ser de R$ 6,65.
A informação foi dada durante a visita dos vereadores à empresa no final da tarde de ontem. A São José havia convidado os parlamentares para conhecer a estrutura da concessionária na cidade e a realidade de suas finanças.
O presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS), disse que a visita durou mais de três horas. Primeiro, os vereadores conheceram as instalações e os veículos da São José. Depois, foi feita uma apresentação em um telão com dados sobre o transporte público da cidade. “O Delismar explicou que, com o valor de R$ 3,80, a empresa tem enfrentado dificuldades para honrar os compromissos, inclusive, com atrasos no pagamento de salários. Para não ter problemas, ele afirmou que a tarifa deveria ser atualmente de R$ 4,50”, disse Garcia
Sobre o pedido de reajuste que normalmente é apresentado pela empresa à Prefeitura no mês de junho, o gerente explicou que os estudos preliminares apontam um valor ideal de R$ 6,65. “Achamos esse valor impraticável e o questionamos. Foi quando ele nos mostrou dados sobre as gratuidades oferecidas aqui na cidade e que tanto encarecem a tarifa”, disse o presidente da Câmara.
Os levantamentos da São José mostram que quase metade dos usuários de transporte da cidade conta com algum tipo de benefício. “Ele disse que 43% dos usuários têm algum tipo de benefício ou gratuidade, um dos maiores percentuais existentes no Brasil.” Para piorar, a Prefeitura não dá nenhum tipo de subsídio ao transporte, o que acaba fazendo com que a tarifa fique muito cara.
Os vereadores também perguntaram a respeito do pedido de congelamento. “A empresa falou que só se houver cortes nas gratuidades”, informou Garcia.
Responsável pelo pedido de congelamento das tarifas e pelo requerimento para a abertura de uma CAR (Comissão de Assuntos Relevantes) para o transporte público, o vereador Corrêa Neves Jr. (PSD) não participou da visita à São José.
Ao chegar à empresa, o vereador teve a entrada de suas assessoras parlamentares barrada e foi informado de que a reunião seria a portas fechadas. “Eu não concordei com a condição imposta pela empresa. Defendo a transparência sempre, ainda mais em questões de interesse público, como o transporte. Não me senti confortável para participar de uma reunião a portas fechadas, então me retirei. Mas me coloquei à disposição para uma nova visita com meus assessores se a empresa assim consentir.”
O presidente da Câmara informou que a criação da CAR deve ser votada na próxima terça-feira.
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