Fachin: sorteio ou arranjo?


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O Brasil, literalmente, parou, segurando o fôlego, quando foi anunciada a morte do ministro Teori Zavascki, ele que, com o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot – indicado ao cargo pelo ex-presidente Lula -, e ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, compunha triunvirato que gozava da confiança nacional para limpar o pau de galinheiro que nossa política se transformo.
 
Moro e Janot continuam ai – blindem esses homens! – mas preocupa ainda, e muito, a curta memória brasileira que permite varrição de sujeita para debaixo do tapete. Até hoje, não estão completamente explicadas as mortes dos políticos Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Eduardo Campos, Celso Daniel, e de PC Farias, ex-tesoureiro do ex-presidente Collor de Mello. Será que ando vendo muito cinema ‘queima de arquivo’?
 
Teori homologaria em dias, não tivesse morrido, 77 delações de diretores da Odebrecht, nave-mãe da corrupção empreiteira neste e em vários países. Havia centenas de preocupados vivendo de corridas sucessivas ao vaso sanitário. Ao morrer de morte morrida ou de morte matada - como diria velho amigo mineiro - Teori levou consigo seu perfil temido, crenças e certezas. 
 
Articulações da presidente do STF, Carmem Lúcia, direcionaram um ministro da Primeira Turma, Edson Fachin, a compor a Segunda Turma, onde corre a Lava Jato na suprema corte nacional. Divulgou-se que a escolha se daria por sorteio. Curiosamente, o computador o indicou. Sorte ou arranjo? O escolhido poderia ter sido Lewandowski ou Dias Toffoli, indicados por Lula; Gilmar Mendes, por FHC; Celso de Mello, por Sarney. Fachin e Teori chegaram ao STF indicados por Dilma. Faz pensar sobre a ex-presidente, suas experiências ou inexperiências? Faz.
 
Mais um fato novo. Michel Temer aguardou o nome do novo relator da Lava Jato para indicar Alexandre de Morais, seu controverso Ministro da Justiça  - crise nas penitenciárias e vazamento de informações sobre ações da Polícia Federal, lembram-se? -, a ministro do STF.
 
Morais advogou para Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal, deputado cassado e hoje, preso pela Lava Jato. Teve seu nome ligado ao PCC. Ocupou, depois, o cargo de secretário de Segurança Pública paulista, levado por Alckmin – também delatado pela Odebrecht. Será sabatinado pelo Senado antes de ocupar o cargo de ministro do STF. 
 
É engraçado. Será que tranquilidade é algo que o Poder Supremo não reservou a este país? Ou será que reservou, mas ainda aguarda que utilizemos nosso livre-arbítrio para gritar soberania perante toda espécie de bandidagem, banindo-a de nosso convívio?
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, tutor de Expressão Escrita, Fala e Gestual - falecomluizneto@gmail.com

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