Muito se tem falado, nos últimos dias, sobre a prisão do empresário Eike Batista, que já foi o homem mais rico do Brasil. Além dele, há a reclusão de empreiteiros e políticos de alto escalão envolvidos em atos de corrupção.
A grosso modo, diz-se que, finalmente, as garras da lei acabaram alcançando figuras de colarinho branco cuja história brasileira não tem registros anteriores de punição pelos males que causam ao País e, principalmente, ao povo brasileiro, legítimo dono do dinheiro que desviaram das finalidades públicas e sociais. Esse é um lado da moeda e deve ser bem observado. Contudo, a manutenção dessas personalidades encarceradas junto a outros presos pode representar um grande risco ao próprio sistema.
O primeiro pensamento logo após a prisão de um figurão é da possibilidade dele vir a ser extorquido pelos seus companheiros de cela ou de estabelecimento penal. Mas isso é apenas o trivial. Todas as vezes que a autoridade coloca um ex-governador, um ex-ministro ou um empreiteiro endinheirado junto a outros detentos, por menos ofensivos que estes possam parecer, é um grande risco.
Mesmo que estes reclusos nada queiram fazer contra o famoso que caiu na sua cela, há que se considerar a possibilidade do crime organizado, que domina os presídios, determinar a morte, a extorsão ou qualquer outra ação contra o figurão.
Portanto, celas individuais para Eike, Cabral e outros, longe de ser privilégio ou mordomia, é a segurança do sistema carcerário brasileiro...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente e dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo
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