Coisas do nosso Brasil nada sério


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AQUI SE AMARRA CACHORRO COM LINGUIÇA E DÁ AS CHAVES DO GALINHEIRO AO GAMBÁ
 
Aqui no Brasil tornou-se comum um corporativismo que domina uma série de entidades, públicas ou não. Nesse contexto, políticos são responsáveis por julgar políticos. Caso não haja um fato motivador muito grave que coloque em xeque toda a classe, todos são perdoados. O STF (Supremo Tribunal Federal) só pode processar um parlamentar se houver anuência do Congresso Nacional. Poucos parlamentares foram cassados em toda a história da nossa democracia, mesmo com robustas provas de corrupção. A maioria deles, vendo-se encurralada, renuncia ao mandato para não ter os direitos políticos suspensos por oito anos. Como se pode ver, este não é mesmo um país sério — frase atribuída ao líder francês Charles de Gaulle, mas dita realmente pelo diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964, genro do presidente Artur Bernardes.
 
A ação de parlamentares citados como beneficiários dos desvios investigados pela operação Laba Jato deixa isto muito claro: eles tentam mudar a legislação para continuarem locupletando contando com uma impunidade que já não é garantida. Que o digam Eduardo Cunha, Sérgio Cabral Filho, Antônio Palocci e José Dirceu, entre vários outros presos e condenados pelo juiz Sérgio Moro. Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado e hoje líder do seu partido naquela Casa, tentou fazer passar matéria que praticamente “amarrasse” os trabalhos de investigação do MP (Ministério Público). Um detalhe: o político alagoano é alvo de 12 processos em tramitação no Supremo, já sendo réu em pelo menos três. Este é o tipo de atuação que se procura evitar. Caso o mandato fosse vedado a qualquer tipo de réu, muitos parlamentares já teriam sido afastados e impedidos de influir nas decisões nacionais.
 
Como a lei permite, deixamos o gambá cuidando das galinhas ou amarramos o cachorro com linguiça. Seria o mesmo que permitir que as penas de um traficante fossem determinadas por um grupo de “colegas” do mesmo naipe. São coisas como estas que ocorrem no Brasil e que não podemos mais aceitar. No caso do Petrolão, mais de 50 políticos, entre parlamentares, ex-ministros e líderes partidários estão envolvidos. As denúncias são graves, as provas robustas e a maioria dos implicados aferra-se ao poder com uma vontade ferrenha que lhes falta na defesa daqueles que lhes deram o voto. Preocupa-se mais com os interesses pessoais em detrimento dos coletivos. A legislação brasileira precisa mudar muito para dar celeridade aos procedimentos capazes de eliminar de vez certos nomes da nossa política. Só isso poderá permitir que o Brasil atinja a democracia plena e se veja livre dos esquemas corruptos que só mal fazem aos brasileiros.
 

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