Sem salário, médicos cruzam os braços em Cristais


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A prefeita Katiúscia Leonardo (PSD) teve projeto reprovado pela Câmara por ser ‘superficial’
A prefeita Katiúscia Leonardo (PSD) teve projeto reprovado pela Câmara por ser ‘superficial’
A crise financeira que assola as Prefeituras da região causou transtornos aos pacientes da rede pública de saúde de Cristais Paulista ontem. Sem receber salários há três meses, os médicos plantonistas do município, que atuam no posto de Pronto Atendimento, decidiram cruzar os braços e passaram a atender apenas os casos de urgência e emergência. A decisão provocou crise entre a prefeita Katiúscia Leonardo (PSD) e a Câmara.
 
O posto recebe toda a demanda do município e atende uma média de 130 pessoas por dia. Desde ontem, só os casos urgentes estão sendo atendidos. É uma forma de pressionar o município a regularizar a situação. “Desde o mês de novembro, eu não recebo um centavo. Só vamos voltar a atender normalmente quando os salários forem pagos. Infelizmente, eles estão achando que a classe médica é muito fácil de ser substituída”, disse o médico Rodrigo Melo Duarte.
 
A Prefeitura culpa o governo anterior e os atuais vereadores pelo problema. Em sessão extraordinária realizada na noite de quarta-feira, a Câmara rejeitou por unanimidade projeto de lei de autoria do Executivo que pedia autorização para o município realizar alterações no valor de R$ 470 mil no orçamento fiscal. 
 
Os recursos seriam usados para pagar a dívida que gira em torno de R$ 130 mil. “A administração passada não pagou e não deixou recursos empenhados. Para pagar, precisamos de autorização legislativa. Fizemos um compromisso com os médicos: se a Câmara aprovasse o projeto, faríamos o pagamento hoje (ontem), mas os vereadores votaram contra e não temos como pagar. A população que precisa do serviço está sendo prejudicada, mas a culpa não é nossa”, disse a secretária de Saúde, Solange Ferreira.
 
O presidente da Câmara, Elson Gomes do Santos (PSDB), disse que os vereadores agiram corretamente ao rejeitarem o projeto. “Não foi por implicância política, não. Estão querendo jogar a culpa para cima de nós, mas o problema é que a prefeita enviou um projeto superficial, sem detalhar os gastos. O dinheiro não era apenas para pagar os médicos. Não podemos aceitar um pacote deste sem a menor explicação.”
 
Ele disse que, se a Prefeitura enviar novo projeto detalhando como os gastos serão feitos, a proposta será aprovada. Enquanto isso, os médicos vão seguir atendendo apenas os casos de urgência e emergência.

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