A Câmara gastou R$ 171,9 mil para pagar despesas de viagens realizadas pelos vereadores em 2016, último ano da legislatura passada em que a maioria dos parlamentares tentou a reeleição nas votações de outubro. Apenas seis conseguiram se reeleger. As informações referentes às despesas custeadas com recursos públicos constam do Portal da Transparência, no site da Câmara.
O total compreende a soma dos valores das diárias recebidas pelos vereadores, gastos com passagens ou combustível, pedágio e diárias do motorista, assessores parlamentares ou outros servidores designados para assessorar o vereador.
No período de janeiro a dezembro do ano passado, os vereadores realizaram 100 deslocamentos para lugares diversos. São Paulo, com 52 partidas, e Brasília, com 28, foram os destinos mais frequentes. Também constam do roteiro cidades próximas, como Ribeirão Preto e Bebedouro, e até mesmo a mineira Barbacena.
O ex-vereador Luiz Vergara (PSB), que não conseguiu se reeleger, foi o campeão de viagens em 2016. Ele requisitou verbas para bancar 19 compromissos fora de Franca, que custaram R$ 34,6 mil aos cofres públicos. Só para São Paulo, foram 12 descolamentos. Em agosto do ano passado, Vergara declarou despesas no valor de R$ 3 mil por conta de agenda na capital paulista. “Missão oficial, comparecer a reuniões com deputados estaduais na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo)”, justificou à Câmara.
Reeleito nas eleições de outubro, Claudinei da Rocha (PSB) ocupou o segundo lugar no ranking dos vereadores que mais viajaram em 2016. Foram 13 deslocamentos, sendo seis para Brasília e sete para São Paulo. O custo foi de R$ 33,4 mil.
Pastor Otávio (PTB), Cordeiro (PSB) e Adérmis Marini (PSDB) dividiram a terceira colocação. O trio requisitou o carro oficial 12 vezes cada. As viagens de Cordeiro custaram R$ 24,3 mil e as do Pastor R$ 19 mil, enquanto as de Adérmis saíram por R$ 16,5 mil. Hoje deputado federal, Adérmis visitou Brasília três vezes no ano passado.
Pastor saiu da rota comum ao marcar compromisso em Barbacena (MG). Ele alegou que se reuniu com profissionais da saúde e diretores de hospitais psiquiátricos e residências terapêuticas para discutir a desinternação de pacientes.
O site da Câmara não registrou viagens em nome dos vereadores Daniel Radaeli (PMDB), Valéria Marson (PSD), Marcelo Valim (PSD) e Donizete da Farmácia (PSDB).
Os vereadores costumam justificar as viagens com o argumento de tratar de “assuntos de interesse do município”. Como não precisam apresentar notas fiscais dos gastos, se quiserem fazer das viagens mecanismos para aumentar seus próprios salários, não há lei ou regra que os impeça.
A Câmara ainda não disponibilizou os gastos dos atuais vereadores com viagens. Em janeiro, uma comissão formada por vereadores e assessores foi representar Franca na abertura da Couromoda, fato que gerou muitas críticas.
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