Agir mais e falar menos


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Em conversa com um amigo, lembrávamos de pessoas que embora não pratiquem qualquer religião, vivem, no entanto, em perfeita harmonia com o Criador. Dentre elas, lembrei-me do saudoso Dr. Carlos Alberto Bastos de Mattos. 
 
Ele não praticava nenhuma religião, muito embora o seu genitor tivesse sido exímio conhecedor da vida e da obra de São Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da Igreja Católica.
 
Dr. Carlos foi o que se costuma popularmente chamar de “boa gente”. Humilde, amável, fraterno, solidário e generoso. Professor exigente, porém acostumado tratar a todos da mesma maneira, independentemente da posição econômica, social e cultural.
 
Era ainda dotado de um extraordinário senso de humor. Lembro-me bem e com saudades das vezes em que ele me aguardava, na sala dos professores da Faculdade de Direito, para ouvir um “causo mineiro”. Deliciava-se com o conto, mesmo que não fosse dos melhores. Da mesma forma, gostava também de narrar fatos pitorescos, reais ou fictícios.
 
Teve uma vida profissional intensa, pois além de professor, exerceu, sucessivamente, as funções de Advogado, Delegado de Polícia, Promotor e Juiz, tendo acumulado, obviamente, grande experiência e sabedoria.
 
Como hobby gostava de levantar fatos históricos. Fez todo o registro da Comarca de Patrocínio Paulista, desde a sua fundação, pois ali exerceu a magistratura por longos anos. Hoje, por Justiça, o Fórum daquela cidade ostenta o seu nome. Com certeza marcou positivamente a sua trajetória.
 
Portanto e em síntese, imagino que o Criador nos avalie mais pelas nossas concretas ações e não por aquilo que eventualmente falamos ou meramente demonstramos publicamente.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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