SITUAÇÃO DEIXA A NÍTIDA IMPRESSÃO DE QUE AS RAPOSAS TOMAM CONTA DO GALINHEIRO
Aeleição do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi eleito ontem para suceder Renan Calheiros na presidência do Senado. Dono de um dos maiores patrimônios no Congresso (que continua crescendo graças aos serviços públicos que sua empresa realiza com os governos federal e do seu Estado), Eunício é bastante ligado ao presidente Michel Temer e ao ainda presidente da Casa, Renan. Ele deve assumir como primeiro nome na linha de sucessão da Presidência sofrendo acusações de que se beneficiou do esquema de corrupção que tomou conta do governo como um todo e que já levou para a cadeia políticos, como o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-ministro José Dirceu; e empresários, como Eike Batista e Marcelo Odebrecht. E mais uma série deles pode seguir o mesmo caminho, caso o STF acelere as investigações.
Nos últimos dois anos o Brasil foi exposto ao que desconfiava: a corrupção continua sendo uma das grandes mazelas do país. O noticiário do período tem deixado claro que o país tem perdeu milhões de reais em razão de falcatruas e negociatas que se multiplicam, vilipendiando e arrasando cofres e grandes patrimônios nacionais. No fim das contas, todos os prejuízos explodem no bolso do contribuinte brasileiro, que hoje arca com uma das mais altas cargas tributárias do mundo sem que grande parte disso seja revertido em benefícios à nossa população. Em um país sério, todos malfeitos teriam causado escândalos e motivado investigações rigorosas que, além da responsabilização judicial, obrigariam os seus operadores a devolver tudo o que embolsaram.
Aqui no Brasil, tudo corre de forma diferente. No Congresso Nacional, instância maior do Poder Legislativo, que deveria ser um defensor das boas práticas administrativas e fiscal das atividades do Poder Executivo, as coisas funcionam diferente. Defende a corrupção ao utilizar de manobras que impeçam o esclarecimento de qualquer crime de improbidade. O corporativismo toma conta da política nacional, onde o toma-lá-dá-cá é mais importante do que o interesse da maior parte da população brasileira.
Partindo-se do princípio de que os parlamentares brasileiros (senadores e deputados federais, aqui neste caso) foram eleitos para aprimorar nossa legislação e fiscalizar os atos do executivo, causa estranheza o fato de que, cada um do seu lado, tenta impedir a apuração de crimes graves contra os cofres públicos e o patrimônio brasileiro. Que atinja aos larápios que tratam a república como negócio privado, sejam eles apoiadores do governo ou seus oposicionistas. Não há bom ou mau ladrão: há apenas ladrão que merece ser investigado, julgado e condenado. Apenas quem tem telhado de vidro é que evita jogar pedras no telhado do vizinho.
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