Ociosidade atinge milhões no Brasil


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NO PAÍS, PELO MENOS 38,7% DA POPULAÇÃO EM IDADE DE TRABALHAR AINDA VIVE NO ÓCIO
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 12% no trimestre encerrado em dezembro de 2016, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O País registrou patamar recorde de desempregados, com um total de 12,342 milhões de pessoas em busca de uma vaga. A taxa é a maior da série histórica iniciada em 2012. O resultado significa que há mais 3,269 milhões de desempregados em relação a um ano antes, o equivalente a um aumento de 36,0%. Ao mesmo tempo, o total de ocupados caiu 2,1% no período de um ano, por causa do fechamento de 1,983 milhão de postos de trabalho. 
 
O que torna a questão mais grave é que o número de ociosos no Brasil é muito maior. Dados oficiais dão conta de que um contingente de 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais não trabalha nem procura ocupação — e, portanto, não entra nas estatísticas do desemprego. Trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE ou o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. O dado ajuda a ilustrar como o mercado de trabalho brasileiro mostra sinais de precariedade. Mesmo tirando da conta os menores de 18 e os maiores de 60 anos, são 29,8 milhões de pessoas fora da força de trabalho, seja porque desistiram de procurar emprego, seja porque nem tentaram, seja porque são amparados por benefícios sociais.
 
Neste contexto, a politica assistencialista governamental continua dando o peixe, mas não libera o rio e nem ensina a pescar. Exigir contrapartida dos beneficiados pela Bolsa Família ou programas similares é necessário. Deve buscar a capacitação deste enorme contingente de inativos, que veem nos subsídios governamentais a única forma de subsistência. Não há movimentações do Poder Público para levar os beneficiários ao mercado de trabalho. E nem criar condições para que melhorem de vida, com obras de infraestrutura e de saneamento básico que faltam a milhares de comunidades espalhadas pelo Brasil.
 
Aqui se faz sempre o mais fácil: dê dinheiro e fica tudo bem. Porém, ainda vemos nossas crianças morrerem de diarreia. Ou brasileiros de todas as idades morrerem em decorrência da dengue, da chicungunya, do zika vírus e agora da febre amarela. Esse é realmente um País de paradoxos: temos estádios da Alemanha, saúde da Zâmbia, educação do Congo e transporte público da Índia. Caso a visão assistencialista prevaleça, dificilmente este quadro poderá ser modificado. Países que tinham uma visão assistencialista como a nossa precisaram modificar o foco para não criar uma geração de “encostados”.

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