Estamos vivenciando um momento de relativização de verdades que antes eram tidas como absolutas, incontestes e dogmáticas. Questionar ou duvidar era sacrilégio. A internet chegou e com ela o certo é o errado passaram a ser questionados com veemência. Pessoas sem qualquer autoridade e conhecimento são doutores e catedráticos em todos os assuntos. O doutor Google resolve tudo, ou melhor, quase tudo. Com isso, a palavra pós-verdade ganhou destaque e, de acordo com o dicionário Oxford ‘é usada por quem avalia que a verdade está perdendo importância no debate político. Um ‘boato não vale menos do que as fontes confiáveis que o negam’. Junto com essa palavra vem o imediatismo em compartilhar uma informação ou um boato sem antes confirmar a veracidade. A internet, por ser considerada erroneamente como terra de ninguém, facilita aos usuários da rede o compartilhamento sem checar a veracidade e a credibilidade de quem e do que se publicou. Essa conduta, de forma irresponsável, seja por dolo ou culpa, pode gerar a resp
onsabilização por danos materiais e morais, sem prejuízo de condenação criminal Sabemos que uma notícia falsa viralizada dificilmente será totalmente desmentida, logo, as punições precisam ser exemplares. A verdade “ liberta o homem”, e, com essa noção, juntamente com a de ética, precisamos compartilhar informações e fatos que temos certeza, pois com a internet uma ‘falsidade’ pode se tornar “verdadeira” rapidamente e danos irreparáveis provocados.
Temos sempre o direito de resposta e de provar que a informação ou o fato não são verdadeiros, mas, nem sempre essas medidas serão eficazes. Por algumas vezes fui procurado, como advogado, para ajudar a retirar de sites pornográficos vídeos verdadeiros, mas atribuídos a falsa pessoa. Alguns vídeos e informações falsas são veiculadas por perfis fakes e os sites geralmente são hospedados fora do Brasil, o que dificulta ainda mais a retirada do vídeo ou da correção da informação falsa. E traumático conviver com um fato falso que vem sendo considerado como verdadeiro, pessoas estão adoecendo e reputações arranhadas. Sugiro que de hoje em diante não compartilhemos fatos ou vídeos pelas redes sociais sem antes termos certeza da autenticidade e credibilidade de quem publicou. Se cada um de nós nos conscientizarmos a internet não será utilizada como poderoso meio de conduzir as pessoas que têm preguiça mental de pensar e de checar as informações antes de tomá-las como verdadeira, pois conviver como pós da falsidade,
ou pós-verdade é traumático e muitas vezes irreversível.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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