Febre amarela: 'Não há motivo para pânico. Mas estamos em alerta'


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Ele assumiu a direção da Divisão em Saúde, que abrange a Vigilância Sanitária e a Epidemiológica do município, no último dia 20 de janeiro, mas há mais de uma década vem trabalhando no combate ao avanço da dengue e de outras doenças contagiosas na cidade. Aos 38 anos, Cleber da Silva Benedito conhece como ninguém as estatísticas de Franca. Na Vigilância há onze anos, completa doze em agosto, já atuou em diversos setores e hoje é o responsável por comandar todas as ações de prevenção a febre amarela, dengue, chikungunya e a zika. 
 
Com a morte de um homem infectado pela febre amarela silvestre na semana passada, em um hospital de Franca, o temor em relação à doença cresceu. Na tarde da última sexta-feira, Cléber conversou com o GCN sobre como estão os trabalhos da vigilância e o acompanhamento da febre amarela no município. Ele garantiu que não há motivos para pânico, mas pediu que a população continue alerta.
 
Na semana passada, foi confirmada a morte de um homem com febre amarela aqui em Franca. A confirmação assustou muita gente. Há motivo para preocupação?
 
Para preocupação, sim. Para pânico, não. O homem, de fato, morreu no hospital da Unimed em Franca, mas não teve contato com ninguém. Ele veio de Delfinópolis e foi direto para o hospital, onde ficou internado um dia e morreu. Então, não houve tempo para contaminação. Aqui, em Franca, ainda não temos registro de casos suspeitos seja em humanos ou em animais. Além disso, ele foi contaminado pela febre amarela na forma silvestre, presente em áreas de mata fechada e vegetação mais densa. Essa forma da doença não é transmitida pelo aedes aegypti, mas por um outro mosquito que também ainda não encontramos em Franca. Segundo apuramos no histórico do paciente, a doença foi contraída em Minas. Mas estamos preocupados com a febre amarela, sim. Desde a morte do primeiro macaco contaminado, em Ribeirão Preto, estamos em alerta. 
 
Existe também o registro de morte em Batatais e de contaminação e suspeitas em Claraval (MG). São duas cidades bem próximas a Franca. A impressão que temos é que estamos ficando cercados e que será inevitável a doença chegar aqui... 
 
Sim, mas é preciso deixar claro que a doença sobre a qual estamos tratando é a febre amarela silvestre, que é mais restrita às regiões de mata. O que preocupa é que a silvestre pode se tornar uma febre amarela urbana. Basta que o mosquito com o vírus pique alguém na zona rural e essa pessoa venha para a cidade e seja picada pelo aedes aegypti. Aí, teremos o risco de uma epidemia de febre amarela urbana. Esse é o medo das autoridades. No Brasil, mesmo com essa epidemia, ainda não registramos surtos de febre amarela urbana. O último foi em 1942. Nossa maior preocupação hoje, é o fato de Franca ter crescido em meio a bolsões de mata fechada que se espalham por toda a cidade. Nosso receio é que mesmo a forma silvestre da doença acabe sendo transmitida nestes bolsões de mata e depois, por estarem muito próximos de áreas urbanas, acabe dando origem à febre amarela urbana.  
 
Mas se não há registro do mosquito que transmite a forma silvestre e ainda não há casos suspeitos na cidade, porque ainda assim é preciso ter cuidado?
 
Na verdade, temos que lembrar que a febre amarela é uma doença assintomática, o que quer dizer que seus sintomas não são perceptíveis. Mas existem casos mais raros em que o quadro do paciente é agravado e, nestes casos, a evolução é muito rápida e a taxa de mortalidade alta. Então, a preocupação sempre vai existir. Mas não há motivos para pânico. Não há razão para a população sair em uma corrida atrás da vacinação contra a doença. Isso porque a vacina da febre amarela já faz parte do rol de vacinas obrigatórias. Boa parte da população já está imune. Em Franca, por exemplo, quase todas as crianças com até 10 anos estão imunes por já terem sido vacinadas. Entre a população adulta, o índice de pessoas que já tomaram a vacina também é grande. E basta uma dose para a pessoa estar imune. 
 
Quem ainda precisa se vacinar?
Quem não tiver tomado nenhuma dose. No Brasil, têm-se a prática da dose de reforço, que deve ser tomada no intervalo de dez anos depois da primeira dose. Quem não tomou também deve tomar. O ideal é que as pessoas levem até as UBSs ou Postos do Programa Saúde da Família suas carteiras de vacinação para que seja feita a conferência. As enfermeiras dirão se é necessária a vacina ou não. Para quem não tiver a carteira de vacinação ou não se lembrar se já foi imunizado, a recomendação é de que tome a vacina. Mas as pessoas não precisam lotar as UBSs, porque ainda não temos casos suspeitos. 
 
Muitas pessoas têm relatado que procuraram as UBSs mas não encontraram a vacina. Há falta?
Não há falta. Mas acontece de, às vezes, acabar o estoque em uma unidade e ter em outra. O governo do Estado tem nos enviado lotes constantemente. Então, se o paciente não encontrar em uma unidade deve se dirigir a outra ou voltar em outro dia. Para evitar o deslocamento, vale confirmar antes por telefone se a vacina está disponível. 
 
E como está o trabalho de prevenção da febre amarela na cidade? 
Trabalhamos em parceria com as vigilâncias de outros municípios e com os hospitais particulares. A ordem é que se houver qualquer suspeita de contaminação, que ela seja imediatamente informada à Vigilância Epidemiológica para que sejam adotadas as medidas necessárias como o bloqueio de área, por exemplo. Além disso, também estamos trabalhando em parceria com a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) do Estado no combate aos criadouros do mosquito da dengue, que é o mesmo que transmite a febre amarela urbana. Os resultados já estão aparecendo. Neste ano, por exemplo, só registramos um caso de dengue e 23 suspeitas que foram descartadas. Se compararmos com anos anteriores, nesta época, por exemplo, já tínhamos uma epidemia sem controle. No caso da chikungunya, tivemos três suspeitas descartadas. Da zika, ainda não tivemos registro.
 
E qual a recomendação para a população?
Não podemos baixar a guarda. Ainda não chegamos ao auge da época de transmissão das doenças, que é em março e abril. Temos que continuar alertas. Em Franca, percebemos que as pessoas colaboram muito, mas acabam se esquecendo de locais que não ficam à vista, como caixas d’água, calhas ou cisternas, que também merecem atenção. Agora, com o risco da febre amarela, também pedimos à população que nos avise se encontrarem macacos mortos em matas, para que a gente possa fazer a recolha e os testes. O telefone da Vigilância é (16) 3711-9408.

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