‘Tenho 4 filhos para cuidar. Não quero mais pisar aqui’


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Na parede, mensagens de esperança
Na parede, mensagens de esperança
Júlia* mora em Orlândia, tem 26 anos e foi mãe pela primeira vez aos 17. Depois, vieram mais três filhos: de 8 e 3 anos, e um bebê de apenas 6 meses. Ela está presa desde o terceiro mês de vida de sua criança, sob a acusação de promover o tráfico de drogas na cidade de Batatais. 
 
A história de Júlia é uma das várias que encontrei no presídio feminino de Franca. Mas foi uma das que mais me emocionou pela veemência com que ela afirma que “nunca mais vai voltar”. “Sinto saudades todos os dias dos meus filhos. Alguns vivem com os avós, outros com seus padrinhos. É horrível pensar, agora, que não estão comigo. A cadeia mudou completamente meu pensamento e eu tenho esperança de que, ao sair, não voltarei para o mundo do crime”, disse. Tentando manter a força enquanto aguarda julgamento ou liberdade provisória, Júlia relutou ao explicar que seu envolvimento com o tráfico teve início por “influência” do marido. “Há três anos, está em um presídio do Estado. Não quero mais isso, mas ele... Não sei não, acho que ainda volta. Eu que ficarei com nossos filhos”, disse.
 
O outro lado
Diferente da situação de Júlia, há a de Diana*. Com 23 anos, a jovem de sorriso fácil me disse que essa era sua segunda “passagem” pelo Guanabara. E, de novo, por tráfico. “Fui presa há alguns anos e, há cinco meses, estou aqui. Não sei o que me faz voltar para essa vida. Sou bem tratada aqui, não tenho nenhuma queixa para fazer, mas nada é igual à liberdade da gente. Acho que um dia aprendo”. 
 
*nomes modificados para preservar as identidades

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