As exportações de Franca encolheram nos últimos anos e, em 2016, voltaram ao patamar de 2002, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a cidade exportou US$ 127.941.758 ante US$ 158.491.639 em 2015. O resultado é 20% menor e representa US$ 30.549.881 a menos injetados na economia da cidade. Nos últimos 14 anos apenas em 2002, quando exportou US$ 119.153.019, a cidade alcançou um resultado inferior ao de 2016.
Os principais causadores do resultado ruim foram o café e o couro, que seguem em queda desde 2015. Respectivamente, as exportações desses produtos caíram 57,63% (US$ 5.326.052) e 45,52% (US$ 17.598.302). Houve queda também na exportação de partes de couro (62,70%) e calçados com sola de borracha, plástico e couro natural (13,90%). Juntos eles representam menos US$ 12.105.646 na economia francana.
Na contramão, as exportações de móveis, vestuários, materiais plásticos e microfones cresceram, mas os números foram insuficientes para reverter o quadro.
Países como Emirados Árabes Unidos, Índia, Colômbia, Cuba, Japão, Itália, Arábia Saudita, Panamá, República Dominicana, Equador, Estados Unidos e Hong Kong são os que representaram maior queda na importação de produtos de Franca.
Segundo o presidente executivo da CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), José Fernando Bello, o balanço das exportações de couro em Franca, assim como no país todo, reflete aquela que foi a palavra-chave da indústria durante todo o ano: superação. “É unânime na indústria de couros a avaliação de que 2016 foi um ano muito difícil, em especial em função da queda dos preços no mercado internacional, da diminuição do consumo na China (principal cliente do Brasil), além da instabilidade política brasileira e a flutuação cambial. Foi um ano de muito trabalho, com extensa ação internacional para que pudéssemos chegar a estes números”, disse Bello.
Para 2017, a previsão das vendas de couros compreende um crescimento de 5% em área, de acordo com Bello.
Calçados
Segundo dados do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), no ano passado, foram exportados 3.245.403 pares de calçados, somando US$ 69.545.511. Apesar do número de pares ser maior que em 2015, no ano anterior a venda de 3.195.332 pares rendeu US$ 78.497.422, já que o preço médio do par caiu de US$ 24,57 para US$ 21,43.
“Apesar de o aspecto geral das exportações ser negativo, para os calçados não foi a pior dos últimos anos e ficaram na média dos últimos anos. Em 1993, o parque calçadista francano chegou a exportar 15,5 milhões de pares e nos últimos oito anos, as vendas para o mercado externo giraram em torno dos 3 milhões de pares. Aos poucos vamos, infelizmente, perdendo nossa cultura exportadora”, disse José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca.
Há 32 anos trabalhando com vendas, o agente de exportação Cassiano Pimentel afirmou nunca ter visto um ano tão ruim como 2016. “Sem sombras de dúvida, o ano passado foi o mais difícil que já vivi no campo das exportações. Apesar do câmbio favorável, vivemos uma crise mundial e perdemos clientes importantes. Os números são reais, pois o mercado não estava comprador”, disse.
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