Mais uma morte suspeita foi registrada na Santa Casa. Na última quinta-feira, a fotógrafa Zélia Lúcia Barbosa Moreira, de 46 anos, morreu depois de passar por mais uma sessão de pulsoterapia, para tratar uma doença autoimune de seus rins. Sua família teria sido informada que uma enfermeira aplicou anestesia no lugar do medicamento correto, causando seu óbito. Agora, os parentes da vítima querem explicações.
De acordo com Thales Moreira Pegoraro, sobrinho de Zélia, a tia fazia tratamento há cinco meses. “Ela estava com um dos filhos, no final do procedimento, pronta para ir embora, quando a enfermeira aplicou o anestésico em sua veia. Mas, no frasco do próprio remédio, está escrito que não deve ser aplicado intravenoso. Apenas intramuscular”, disse.
Ainda segundo com o relato de Thales, a fotógrafa teria avisado aos funcionários do hospital que estava sentindo dores e, segundos depois, teve uma convulsão. “Levaram minha tia para as dependências do hospital e só tivemos notícias pouco depois, quando ela havia morrido.”
Após o óbito, conforme a versão do sobrinho, o médico que acompanhava o tratamento teria se recusado a assinar o devido laudo, fato que complicou ainda mais a situação. Quando estavam prestes a sepultar a fotógrafa, foi necessário que seu corpo retornasse ao IML (Instituto Médico Legal), para passar por exame necroscópico.
“A cova estava pronta e estávamos todos ali, no cemitério, quando tivemos de cancelar seu sepultamento. Queremos saber o que aconteceu com minha tia, para que outras famílias não passem pela mesma tragédia”, relatou o sobrinho.
O caso foi parar na Polícia Civil e um boletim de ocorrência de homicídio culposo foi registrado ontem no 1º Distrito Policial. O frasco do anestésico foi apreendido e a morte de Zélia está sob investigação. O sepultamento da fotógrafa está previsto para hoje, às 9 horas, no Cemitério Santo Agostinho.
Resposta
Em nota enviada na tarde de ontem, a Santa Casa de Franca não confirmou nem contestou a versão dada pela família da fotógrafa. “Após o final do procedimento, seu quadro evoluiu para parada cardiorrespiratória, sendo que mesmo tendo sido tomadas todas as medidas de ressuscitação, a paciente evoluiu a óbito”, informou o hospital.
A respeito do procedimento feito em Zélia, a assessoria comunicou que foi instaurada sindicância interna para apurar a morte e que “a Santa Casa está contribuindo com as investigações da polícia, lamentando o ocorrido”.
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