Mais uma morte foi registrada nas dependências da Santa Casa de Franca. No final da tarde da última quinta-feira, a fotógrafa Zélia Lúcia Barbosa Moreira, de 46 anos, morreu depois de passar por mais uma sessão de pulsoterapia, para tratar uma doença autoimune de seus rins. Segundo a família, o hospital teria dito que uma funcionária aplicou anestesia no lugar do medicamento correto, causando seu óbito.
Segundo um sobrinho de Zélia, Thales Moreira Pegoraro, a tia fazia o tratamento há cinco meses no hospital e era apenas mais uma “sessão comum”. “Ela estava com um dos filhos, no final do procedimento, pronta para ir embora, quando a enfermeira aplicou o anestésico em sua veia. Mas, no frasco do próprio remédio, está escrito que não deve ser aplicado intravenoso”, disse.
Ainda de acordo com o relato de Thales, a fotógrafa teria avisado aos funcionários do hospital que estava sentindo dores após a aplicação do medicamento e, segundos depois, teve uma convulsão. “Levaram minha tia para as dependências do hospital e só tivemos notícias pouco depois, quando já era tarde e ela havia morrido.”
Após o óbito, o médico que acompanhava teria se recusado a assinar o devido laudo, fato que complicou ainda mais a situação. Isso porque, segundo o sobrinho, quando já estavam prestes a sepultar a fotógrafa, foi necessário que seu corpo retornasse ao IML (Instituto Médico Legal), para passar por exame necroscópico, que determinará as razões de sua morte.
“A cova estava pronta e estávamos todos reunidos quando tivemos de cancelar seu sepultamento. Continuamos em buscas de respostas para saber o que aconteceu com minha tia. É um absurdo”, relatou.
O caso foi parar na Polícia Civil e um boletim de ocorrência de homicídio culposo foi registrado nesta sexta-feira, 27. O frasco do anestésico foi apreendido e a morte de Zélia está sob investigação.
Resposta
Em nota, a Santa Casa de Franca não contestou nem confirmou a versão da família da fotógrafa. “Após o final do procedimento, seu quadro evoluiu para parada cardiorrespiratória, sendo que mesmo tendo sido tomadas todas as medidas de ressuscitação, a paciente evoluiu a óbito”, informou o hospital.
A respeito do procedimento feito em Zélia, a assessoria comunicou que foi instaurada sindicância interna para apurar a morte e que “a Santa Casa está contribuindo com as investigações, lamentando o ocorrido”.
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