O povo brasileiro é pródigo em teorias conspiratórias. Incontáveis foram os eventos oficialmente tidos como acidentais, mas que perante o conjunto da sociedade, são vistos como atentados praticados com a intenção de ceifar precocemente a vida de uma determinada pessoa. Como exemplos os acidentes que mataram os ex-presidentes, Juscelino Kubistchek de Oliveira e Castelo Branco e o que vitimou o candidato Eduardo Campos.
Essas teorias conspiratórias acabaram inspirando o Jornalista e meu conterrâneo Edson Aran, a publicar dois livros dissecando-as. As obras tiveram tamanha repercussão, que ele acabou entrevistado por Jô Soares.
Novamente o país é surpreendido com a morte do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, coincidentemente o relator dos processos envolvendo políticos influentes e que tiveram os seus nomes citados na operação Laja Jato, como prováveis beneficiários de atos de corrupção.
No episódio de agora, uma parte substantiva da sociedade, entende que o acidente em questão, tem que ser adequada e convenientemente esclarecido, pois o avião que transportava o ministro era novo, estava com todas as licenças e revisões em ordem, além de ser uma aeronave reconhecidamente segura.
Sabe-se, ainda, que não houve falta de combustível, que o piloto era competente, conhecia como poucos o avião, a rota e o aeroporto que devia pousar, sendo que as condições climáticas não eram das piores. Assim, essas circunstâncias recomendam criteriosa investigação, sob pena de persistir, pela eternidade, a dúvida no imaginário popular.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
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