A causa apaeana


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A Apae empossa hoje, publicamente, novos gestores para o período 2017/19. Será evento simples, realizado na própria entidade, como convém neste tempo de dificuldades enfrentadas pela sociedade leiga que provê, voluntariamente, auxílio à saúde pública de responsabilidade constitucional dos governos, mas tratada como coisa de somenos importância já que o dinheiro dos impostos tem que continuar andando em direção a bolsos e interesses escusos. Em sua história de 47 anos completados ontem, a Apae francana nunca teve eleições concorridas, exceção à penúltima, quando grupo de pais dos alunos concorreu e ganhou a chance de praticar suas ideias. Na época, o discurso foi o de desglamurizar a entidade. Segundo alguns, havia empresários demais no dia apaeano e isso impedia a participação mais efetiva deles nas decisões.
 
Vencedor, o grupo acabou com o “Quem doa Mais” evento que, anualmente, garantia alguns milhares de reais à entidade, fonte essa que, somada a outras, permitia gestão apertada, mas até então, controlada. Finalizada essa possibilidade financeira, e em crise o país, o problema atingiu o coração que faz pulsar a escola: seus funcionários. Muitos ainda não receberam a totalidade de seus direitos relativos ao ano passado. Ao final do ano, período eleitoral ao calor da tristeza dos funcionários e sem interessados em dar continuidade à experiência dos últimos anos, a sábia decisão de convidar o empresário Agenor Gado, ex-vice-presidente da gestão anterior à experiência dos pais, a aceitar a presidência.
 
Entrevistado por este Comércio, Agenor disse que “a Apae vive hoje em dia, seu pior momento”. Desesperou-se em saber das dificuldades dos funcionários. Confirmou o retorno do “Quem doa Mais”. Disse que as prefeituras da região, que historicamente não colaboram financeiramente com a Apae, mas enviam alunos à instituição, terão que participar da gestão financeira, e já negocia com elas.
 
No grupo de Agenor há empresários, muitos, e nem pode ser diferente. Eles representam a economia da cidade e disseram “sim”, dispostos a contribuir como for preciso. Adir Leonel, o empresário que se quisesse poderia se manter no conforto de sua casa já que tem vida completamente resolvida, se dispôs a retornar com o leilão que criou para Apaes de várias cidades — e pelos quais não cobra absolutamente nada para realizar.
 
Todos, sem exceção, têm que compreender que não há dinheiro suficiente para manter acesa a chama de causa tão sagrada quanto a das Apaes, indispensável neste tempo de absoluta frieza humana em que vivemos. Quem de nós já não ouviu dizer que “quanto mais longe estiverem os nossos que requerem cuidados constantes e especiais, melhor”?
 
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, tutor de Expressão Escrita, Fala e Gestual - falecomluizneto@gmail.com

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