Quando o carro vira uma arma


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TRâNSITO DE FRANCA MATA MAIS DO QUE O DE SÃO PAULO: E ALGUÉM TINHA DÚVIDAS?
 
Não é de hoje que o trânsito francano é considerado um dos piores do país. Por aqui, mesmo diante do curso de capacitação, das aulas de direção e de um rigoroso exame prático e de legislação, muitos motoristas ainda não entendem que precisam de cautela e muito cuidado para não transformar seu veículo em uma arma. Ignoram procedimentos simples, como utilizar a seta ao fazer qualquer conversão, insistem em trafegar em velocidade superior à máxima permitida e ignoram cinto de segurança (além de outros equipamentos capazes de preservar a vida do condutor) e vias preferenciais. Até sinalizações de solo e aéreas, inclusive semáforos, são ignorados. Para não se citar uma das mais mortíferas associações que já causaram muitas mortes em nossa cidade: assumir a direção de um veículo automotivo depois de ingerir bebidas alcoólicas.
 
Pois agora, estudo divulgado pelo Movimento Paulista de Segurança no Trânsito do governo do Estado de São Paulo, mostra uma estatística alarmante: proporcionalmente, o trânsito de Franca mata mais do que o da capital paulista. O Infosiga, que fornece dados sobre os acidentes fatais, aponta que a taxa de mortes no trânsito francano é de 10,2 para cada 100 mil habitantes, enquanto que a de São Paulo é 8,2. Os dados se referem ao ano passado. Atualizado mensalmente, o Infosiga conta com dados sobre o acidente, perfil da vítima e tipo da frota (motocicleta, carro, bicicleta e pedestre, por exemplo). Em 2016, com 331.259 habitantes, Franca registrou 34 mortes no trânsito, enquanto São Paulo, com 11.581.798 moradores, perdeu 950 pessoas.
 
Trata-se de uma questão antiga, já que o Comércio, mesmo sem números oficiais, já fez várias alertas a respeito da violência do trânsito em nosso município. O problema é que campanhas de esclarecimento levadas a efeito pelo governo e pela Polícia Militar ou mesmo a ação mais efetiva dos aparatos de segurança não são capazes de abrir a cabeça do motorista francano para o perigo que ele leva a si, aos seus e a terceiros ao assumir de forma negligente a direção de um veículo automotor. As autoridades policiais ressaltam que a maioria dos casos acontece em razão da imprudência dos motoristas e pedestres. Embora as vias de rolamento, como ruas e estradas, em muitos casos não estão em condições ideais de tráfego, cabe ao motorista e ao pedestre agir com maior prudência. Por isso, se a própria população não se conscientizar do perigo que o trânsito carrega em si, continuaremos ostentando números de megalópole para uma cidade considerada média.

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