As mordomias são mães da corrupção


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QUANTO MENOS BENESSES A POLÍTICOS MENOR É O ÍNDICE DE CORRUPÇÃO
 
Imagine um país onde o deputado ganha apenas 50% mais do que um professor do ensino médio, mora em um apartamento funcional de 40 metros quadrados com cozinha e lavanderia comunitárias, utiliza o transporte público e só conta com os benefícios que contemplam qualquer trabalhador. Embora esteja longe de nossa realidade, este país existe: é a Suécia, que possui uma das administrações públicas menos corruptas do mundo, enquanto o Brasil ostenta a desonrosa posição de número 68, atrás de diversas nações da América Latina. Enquanto lá uma deputada teve o mandato ameaçado por ter utilizado um táxi em vez do transporte público, causando revolta entre seus eleitores, aqui grande parte dos políticos, mesmo implicados em desvio de dinheiro de ministérios, secretarias e estatais, continua no cargo, por causa do foro privilegiado, na Suécia eles são processados na Justiça comum.
 
A conta desembolsada pela Câmara para pagar as despesas diretamente relacionadas a cada deputado chega a R$ 108,6 mil por mês, incluindo o salário e os benefícios concedidos, totalizando quase R$ 1,3 milhão em um ano. Já no Senado, cada senador tem um custo mensal de R$ 168,8 mil, também incluindo o vencimento e as regalias existentes, o que contabiliza R$ 2 milhões por ano. Com isso, cada parlamentar da Câmara e do Senado recebe mensalmente, em média, R$ 138,7 mil. O cálculo dos parlamentares não inclui despesas médicas. Eles contam com benefícios inimagináveis para trabalhadores comuns e parlamentares de outros países como Dinamarca, Nova Zelândia, Suécia, Noruega, Cingapura e Finlândia, que são os melhores avaliados por causa da quase inexistente corrupção. Nestas nações, os serviços públicos são de qualidade, o ensino é de excelência e até a limpeza de ruas reflete o uso responsável do dinheiro dos contribuintes. 
 
Mesmo contando com diversos benefícios, os parlamentares do Brasil usam a criatividade para embolsar ainda mais valores além daqueles que são prerrogativa do cargo. Muitos, vendo secar as torneiras das estatais e de ministérios, por causa da ação da Justiça Federal e da PF, hoje burlam a utilização da verba pública destinada a pagar, exclusivamente, despesas diretas dos seus gabinetes pessoais e inerentes ao exercício do mandato. Na maioria das vezes, apresentam notas de empresas fantasmas, de parentes ou de laranjas para conseguir o ressarcimento de valores. Até quando a população brasileira vai continuar pagando os que, eleitos para servir o povo, fazem o contrário? Cabe a nós darmos início a esta mudança, ao depositar os nossos votos nas urnas e deixarmos claro que não aceitamos mais este tipo de político.

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