Anotou Mateus no seu Evangelho que, estando Jesus a conversar com seus discípulos, Simão Pedro Lhe perguntou “quantas vezes tenho de perdoar meu irmão, serão sete vezes?” O Mestre lhe respondeu: “Não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.” Ensinavam os exegetas àquela época que o número sete era um símbolo da eternidade, do infinito. Segundo Jesus, devemos perdoar tudo, a todo tempo, e não apenas 490 vezes, número que resulta da multiplicação 70 X 7.
O perdão é a maior expressão do Amor, sendo, expressão de Deus, lembrando a asserção do evangelista João, no Apocalipse: “Deus é Amor.” Quando perdoamos, fazemo-nos felizes, envolvidos pelos eflúvios do Amor.
Na questão 886 de O Livro dos Espíritos, ensinam os Luminares espirituais que a caridade, segundo a entendia Jesus, além de “benevolência para com todos”, “indulgência com as faltas alheias”, consiste também no “perdão das ofensas”, que o próprio Jesus exemplificou, quando, diante da mulher adúltera e dos que a acusavam, desafiou estes a atirar contra ela a primeira pedra, desde que se julgassem sem pecado. Afastaram-se sem arremessar um único bloco. Quando ela balbuciou “eles se foram”, disse o Rabi: “eu também não te condeno, vai e não peques mais.”
Aprendemos que ela era, realmente, pecadora, mas estava perdoada e advertida para que não voltasse a pecar. Aula que se repete na prece que o Mestre nos legou: (Pai), perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores. Vemos, aí, a grave condicionante: quem não perdoa não é perdoado.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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