MANUTENÇÃO DO CENTRO POP SÓ FARÁ PREFEITURA JOGAR DINHEIRO PELO RALO
De boas intenções o inferno está cheio, já diziam nossos avós. Qualquer decisão administrativa não pode levar em conta apenas uma idéia que, na prática, se mostra improdutiva. Errar é humano, claro. Mas persistir nele é de uma arrematada burrice, a qual temos certeza de que o prefeito Gilson de Souza (DEM) e seu secretário de Ação Social, Edgard Ajax Filho, não possuem. A intenção de transferir para outro local o Centro Pop, o famigerado trambolho travestido em ação social criado pela administração de Alexandre Ferreira (PSDB), seria totalmente inócuo caso sejam mantidos os métodos utilizados até agora. Não se pode dizer que o local que abriga moradores de rua e usuários de drogas não tenha provocado impacto na sociedade local: além de um assassinato estar ligado ao funcionamento da casa, ainda houve o aumento da população de rua em 5 vezes no período de 4 anos: no final de 2012 eram 150 e hoje já são mais de 800.
Em São Paulo, devido à falta de uma política efetiva para tratar esta população de rua, o prefeito João Dória (PDSB) tomou uma decisão: colocou tapumes em viadutos, escondendo os grupos de sem-teto que utilizavam os locais como moradia. Não é assim que resolve este grave problema social. É necessário que haja políticas públicas e mecanismos capazes de auxiliar, tratar, encaminhar e reinserir na sociedade esta população de risco. Só dinheiro não basta: é necessária uma grande vontade política para que a questão não se torne o maior problema para o administrador público que, neste início de mandato, como os prefeitos de todo o País, precisa fazer malabarismos para conseguir equilibrar o orçamento municipal aos ditames da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Ao mesmo tempo, uma alta quantia é dispendida em uma iniciativa que até agora não trouxe resultados práticos e efetivos, muito pelo contrário. Já há um movimento na Câmara de Vereadores no sentido de reivindicar a extinção do Centro Pop, direcionando verbas e esforços a comunidades terapêuticas capazes de acolher e tratar os dependentes químicos. Ao mesmo tempo em que titubeia, a Prefeitura ainda não deu uma resposta à fundação “Judas Iscariotes” que promete fechar os dois CAIs (Centros de Apoio aos Idosos) caso não receba um reajuste na verba repassada pela municipalidade. Neste caso, serão 350 idosos, a grande maioria sem famílias ou condições de se manter, que dependem do acompanhamento e dos serviços oferecidos pelos dois tradicionais lares de idosos. O prefeito e seus auxiliares não podem titubear nestes dois casos, sob o risco de repetir os mesmos graves erros que “afundaram” a administração de Alexandre Ferreira.
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