Na sessão dessa terça-feira, os vereadores defenderam a extinção do Centro Pop, serviço criado em 2014 para atender moradores de rua e viciados em drogas em uma casa que fica na região central da cidade. Desde que foi instalado, o Centro é alvo de críticas por parte dos vizinhos e comerciantes da região.
O vereador Della Motta (PTN) apresentou um requerimento cobrando do município dados sobre o serviço, como seus custos, detalhes sobre seus frequentadores e ainda um levantamento sobre os atendimentos prestados. Della Motta também apresentou dados da Polícia Militar, que apontam um crescimento de 15% nos roubos na região onde o Centro funciona e de 14% nos casos de lesão corporal, principalmente envolvendo mulheres. Della Motta também apontou que metade de todos os moradores atendidos tem passagem pelo sistema prisional, em sua maioria por furto, roubo ou tráfico de drogas.
O vereador Corrêa Neves Júnior (PSD) citou um levantamento da própria Prefeitura mostrando que, desde a criação do Centro Pop, o número de moradores de rua cresceu enormemente, saltando de 150 para 800. “O Centro Pop não funciona, temos que extinguir. Ele já se mostrou um fracasso. Isso não quer dizer que sejamos insensíveis ao problema da população de rua. Apenas achamos que o Centro não é o caminho”, disse.
A mesma posição foi adotada pelo presidente do Legislativo, Marco Garcia (PPS). “Não podemos permitir a instalação institucional de uma ‘cracolândia’ no Centro da cidade.” Ainda engrossaram o coro contra o serviço os vereadores Pastor Otávio (PTB), Diretor Marcos (PSDB) e Kaká (PSDB).
Passa-moleque
No período da tarde, o prefeito Gilson de Souza (DEM) protocolou dois projetos de lei em regime de urgência para repassar verbas à Santa Casa de Franca e à Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional). Mas um artigo nos dois projetos fez com que os vereadores decidissem não votar as matérias.
Segundo a diretora administrativa da Câmara, a advogada Taysa Thomazini, ao contrário do que havia combinado com os vereadores, os recursos correspondentes a R$ 1,5 milhão referentes aos repasses dos projetos não sairiam das verbas que sobraram do orçamento da Câmara e foram devolvidas aos cofres da Prefeitura, mas sim do valor que deveria ser destinado ao orçamento impositivo, percentual destinado a atender as emendas dos parlamentares. O valor passaria a ser destinado à Santa Casa e à Apae.
Os vereadores não gostaram. Se reuniram no plenarinho e decidiram que não iam votar os projetos. “Votar esses projetos da forma como estão significará rasgar e jogar fora o orçamento impositivo. Eu não concordo”, disse o vereador Corrêa Neves Júnior. Marco Garcia também se posicionou. “Esse projeto não é o combinado. Não foi isso que acertamos com o governo.”
Por conta disso, uma reunião com o prefeito Gilson de Souza para discutir a questão foi marcada para a próxima segunda-feira. O horário ainda será definido.
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