Ser grande é um desejo que perdura as fases da infância e adolescência, fazemos planos para o futuro e sonhamos com eles, mas quando crescemos, percebemos que ser grande não é tarefa fácil e que o bom é ser criança; porém, não dá para voltar no tempo e é necessário topar com as realidades e desafios e deles sair vitoriosos. Como adultos, temos que enfrentar o “mundo dos adultos”, embora existam adultos, hoje em dia, que são apenas no conceito biológico, pois emocionalmente não passam de crianças mimadas. Tem sido constante depararmos com adultos com mais de trinta anos que não sabem o que querem da vida, que não tem objetivos definidos, que dependem inteiramente dos pais e vivem como se tudo estivesse bem. Ninguém ganha com essa realidade. Os jovens precisam se tornar adultos para ter uma vida dignificante, uma vida que lhe proporcione conquistas, mas também sofrimentos e derrotas. Penso que os pais atuais, de certo modo, estamos falhando no processo de amadurecimento dos filhos, pois fazemos de tudo para que
não sofram, mas esquecemos de que os sofrimentos, na medida certa, nos tornam humanos, nos permite ser grande.
“O que nasce grande é monstro” como dizia um querido amigo e chefe Paulo Liboni que não mais está entre nós. Tornar-se grande exige tempo e dedicação, mas também coragem para encarar esse longo processo, pois sem experiências, acertos e erros, ficamos na inércia, na letargia não produtiva. Queremos que o Brasil seja grande, mas não temos grandes homens no comando dele e não vemos grandes nomes num futuro próximo. Não falo em perfeição, mas em homens e mulheres que possam servir de exemplo, de pessoas que lutam para melhorar a cada dia a sua vida e das demais pessoas, de líderes religiosos, políticos ou de empresas que se preocupam em deixar um legado positivo para a posteridade do Brasil. Impera o imediatismo e o egoísmo e esquecemos que somos ou não lembrados pelo que fizemos ou deixamos de fazer. Precisamos ser grandes para tornar o nosso país reconhecido como grande não só em extensão, mas também pela grandeza dos brasileiros, da sua potência econômica e financeiras, e principalmente, pelo enfrentamento da
s nossas mazelas e da superação. Está na hora do gigante levantar do berço esplêndido e deixar de um ser um país de crianças mimadas, que apenas sonham e fingem que está tudo bem. Está na hora de exigir dos governantes e de nos mesmos que sejamos grandes, que nos tornemos adultos. Somos um país com alta carga tributária e de impostos, mas com uma contraprestação desarrazoada, sabemos disso e pouco fazemos. O Estado precisa ser forte, mas formado com pessoas fortes e conscientes dos deveres cívicos, éticos e morais.
Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário
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