Desafio de Gilson é cumprir 70 promessas de campanha


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Neste fim de semana, Gilson de Souza (DEM) completou 15 dias à frente da Prefeitura. Ainda é cedo para fazer prognósticos, mas a julgar pelas dificuldades e problemas enfrentados nestes primeiros dias, não será nada fácil para o ex-deputado e agora prefeito conseguir cumprir todas as suas mais de 70 promessas eleitorais.
 
A área da Saúde será onde Gilson enfrentará os maiores problemas. Nem bem assumiu, precisou lidar com a falta de recursos para o funcionamento da recém-inaugurada UPA (Unidade de Pronto-atendimento) do Jardim Anita. Os velhos problemas voltaram a assombrar. Houve filas e horas de espera no Pronto-socorro “Àlvaro Azzuz” e no NGA-16. No fim de semana passado, ele passou o sábado acompanhando uma faxina no Centro de Diagnóstico, onde identificou infiltrações e problemas estruturais. É em meio a este cenário que o prefeito eleito vai lidar com outras dificuldades, como concretizar sua maior promessa de campanha: a construção de um hospital municipal. O custo da obra está estimado em R$ 136 milhões e, para colocá-lo em funcionamento, Gilson ainda precisará reservar no orçamento, já encolhido de Franca, R$ 10 milhões para o manutenção. 
 
Outro problema será conseguir contratar novos profissionais para atuar no hospital. O gasto da Prefeitura com a folha de pagamento já ultrapassou o limite prudencial estabelecido por lei. Para não ser alvo de ações judiciais do Ministério Público, Gilson decretou a proibição de horas extras em todas as pastas, com exceção da Saúde. Novas contratações só poderão ser efetivadas se a receita do município melhorar muito, o que não é provável, ou se a Prefeitura cortar gastos em outras pastas. 
 
Na área da Educação, mais desafios. Durante a campanha, Gilson prometeu construir novas creches em diversas regiões da cidade. Mas agora, no início do seu governo, enfrenta dificuldades para conseguir manter os convênios já existentes. Sem um reajuste adequado nos repasses, a Associação de Creches Comunitárias ameaça entregar a administração de mais de 20 unidades, o que afetaria a vida de quase metade das oito mil crianças atendidas.
 
Na campanha, sempre que o tema eram os problemas da administração da cidade e a falta de recursos, Gilson prometia que, se eleito, criaria uma nova secretaria municipal: a Secretaria de Assuntos Avançados, que ficaria responsável por estudar, analisar e propor soluções para os mais diversos problemas do município. Gilson tomou posse dia 1º. No mesmo dia, minutos depois, deu posse ao seu secretariado. Sem a criação da Secretaria de Assuntos Avançados. Quando questionado, apenas respondeu que ainda é cedo para pensar em mudar a estrutura da administração. “Há outros problemas mais urgentes”. 
 
O prefeito Gilson de Souza (DEM) disse que, neste começo de governo, sua prioridade tem sido conhecer melhor a administração e seus problemas. “Temos que primeiro identificar quais são as dificuldades, fazer um planejamento para depois começar a tirar as coisas do papel”. 
 
Gilson disse ter ciência de que esse primeiro ano de governo será complicado. “Estamos trabalhando com um orçamento que não é o nosso, com uma estrutura da administração passada. Então, isso complica um pouco as coisas”. 
 
Mas ele disse ter esperança de conseguir avançar. “Nossa prioridade é a Saúde. Estamos nos próximos dez dias concluindo o diagnóstico da área e vamos fazer mudanças e melhorias. Instalar um hospital no PS não é algo que se faça da noite pro dia, mas vamos fazer”. 
 
Sobre as dificuldades com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o prefeito disse que é um grande empecilho para os seus planos, mas que busca soluções. “Não adianta reclamar. Temos que trabalhar. E conto com a paciência da população para nos ajudar”. 
 

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