DIRIGIR E BEBER NÃO SÓ MATA: MUTILA, INCAPACITA E COLOCA INOCENTES EM RISCO
Quase que diariamente o Comércio tem publicado ocorrências envolvendo condutores de veículos alcoolizados. Nunca é demais alertar para esta associação mais do que perigosa: ao lado da falta de prudência e de consciência de motoristas e motociclistas — em Franca, no caso —, dirigir sob o efeito de bebida alcoólica torna ainda mais perigoso trafegar por nossas ruas. Inúmeros casos lamentáveis já foram registrados, grande parte deles terminando em morte. E não há nada que possa recuperar uma vida, somente a responsabilização penal de quem bebeu, dirigiu, causou acidente e matou.
Estudo realizado pelo Ministério da Saúde em hospitais públicos revela que o consumo do álcool tem forte impacto nos atendimentos de urgência e emergência do SUS (Sistema Único de Saúde). O levantamento revela que entre as pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, 22,3% dos condutores, 21,4% dos pedestres e 17,7% dos passageiros apresentavam sinais de embriaguez ou confirmaram consumo de álcool. Entre os atendimentos por acidentes, a faixa etária mais prevalente foi a de 20 a 39 anos (39,3%).
O maior rigor na fiscalização e nas penas decorrentes da infração ainda não é garantia de que daqui para frente não mais teremos acidentes que ocorrem por causa da embriaguez. Embora o número de ocorrências esteja em declínio, ainda acompanhamos mortes estúpidas, mutilações revoltantes e incapacitações inexplicáveis. Enquanto não houver uma conscientização do próprio condutor da irresponsabilidade que é assumir o volante sob o efeito de álcool, ainda continuaremos acompanhando estas tragédias que enlutam — e revoltam — famílias brasileiras.
A necessidade de uma mudança de postura é primordial. Antes de tudo, é necessário que o candidato a motorista ou motociclista receba informações a respeito de forma bastante real. Não basta que os CC’s (Centros de Formação de Condutores) apontem para o perigo de beber e dirigir. É necessário que mostrem também as consequências danosas desta atitude, com fotos, vídeos e narrativas de vítimas e demais atingidos por acidentes causados pela ingestão de bebidas alcoólicas. A responsabilização penal também precisa ser exemplar, uma vez que hoje já não é novidade para ninguém: quem assume alcoolizado a direção de um veículo sai para matar ou morrer. E, na maioria das vezes, mata inocentes.
A partir do momento em que irresponsáveis passem a ser considerados homicidas e sejam julgados como tal, com certeza haverá um temor maior em associar o álcool ao veículo motorizado. Mexer no bolso, com multas exemplares, já é uma saída mas só a cadeia para quem matar no trânsito será capaz de transformar atitudes e comportamentos.
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