Sem recursos para continuar tocando as atividades dos CCIs (Centros de Convivência do Idoso) do Centro e do Jardim Paulistano, o presidente da Fundação “Judas Iscariotes”, Clóvis Barbosa, anunciou nesta quarta-feira que está deixando a administração das duas unidades, que encerrarão as atividades no próximo dia 30 de janeiro. A medida afetará os mais de 350 idosos que são atendidos nos dois locais. Além dos CCIs, a Judas Iscariotes também deixará de atender os mais de 150 usuários dos programas de fortalecimento de vínculo para idosos e criança e adolescentes que funcionam nos dois centros.
A decisão, segundo o presidente da Fundação, foi tomada em dezembro do ano passado, quando a fundação foi informada dos novos valores que seriam repassadas pela Prefeitura Municipal para os serviços. “Percebemos que não eram os mesmos que havíamos acordado junto ao Conselho Municipal de Assistência Social. Eram bem mais baixos”, disse.
Um exemplo é o valor pago por mês para os atendimentos dos CCIs. Segundo Clóvis, o acordo era que a Prefeitura repassasse R$ 70 por mês por idoso em atendimento, mas os valores que constam do orçamento 2017 são de R$ 59. “Se aceitarmos o que está no orçamento, nosso déficit ao final do ano será de R$ 306 mil em cada CCI. Não temos como arcar com esse valor. Infelizmente estamos entregando os serviços”.
Clóvis disse que tentou negociar um reajuste com o novo governo mas que até a tarde de ontem ainda não havia resposta. “Encaminhei ofícios para a equipe de transição, informando a gravidade da situação. Eles disseram que precisavam analisar os números e me responderiam, mas até agora nada”.
Sem respostas, o presidente decidiu já dar aviso prévio a todos os mais de 50 funcionários das unidades. “Eles já estão demissionários. Se houver uma mudança de posição da Prefeitura, podemos cancelar isso”.
Outro lado
O secretario de Ação Social, Edgar Ajax Filho, disse que o reajuste concedido nos repasses para a Fundação foi o estabelecido em lei. “O valor do reajuste é calculado de acordo com o IPC, que segundo a Secretaria de Finanças, foi de 7,61%”.
O secretário informou que deve ainda tentar um acordo com a Fundação. Caso não seja possível, a secretaria abrirá um novo processo de chamamento público para que uma outra entidade seja escolhida para administrar os serviços. “As entidades classificadas no último chamamento público serão consultadas sobre o interesse em assumir os serviços. Caso não tenham interesse, será realizado novo processo”, disse, sem citar prazos.
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