Não vale o que foi combinado


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MESMO VETERANO NA POLÍTICA, ROBERTO ENGLER SE DEIXA ILUDIR POR PROMESSA
 
A política brasileira está cheia de exemplos do tipo: nada do que é combinado, na hora da decisão, pode ser considerado definitivo. Isto pode acontecer em nível federal, estadual ou municipal. A ex-vereadora Valéria Marson (PSDB) viu, logo em seu segundo ano de mandato, que nada do que tenha sido combinado antes vale alguma coisa em política. Ela fez um acordo para ser a presidente da Câmara e, na hora do está valendo, ficou a ver navios. Este é apenas um exemplo diante de milhares de outros. 
 
Por isso, não se entende a prova de ingenuidade do veterano deputado estadual Roberto Engler (PSDB) que levou uma verdadeira rasteira durante a reunião do Comam (Consórcio dos Municípios da Alta Mogiana).que elegeu como presidente, por aclamação, o prefeito Gilson de Souza (DEM), um nome que está atravessado na garganta dos tucanos. Primeiro, Gilson levou a Prefeitura de Franca diante do considerado imbatível Sidnei Rocha (PSDB). Lá, Engler, que se tornou o principal articulador da campanha, relevou o peso da rejeição ao nome de Sidnei aliada à registrada por Alexandre Ferreira. A arrogância perdeu e Engler precisava de um fato que o colocasse como principal força política da região da Alta Mogiana.
 
Por isso, Engler aliou-se ao prefeito Marcelo Mian (PPS), de São Joaquim da Barra, que era o favorito para levar o cargo. Com o apoio do parlamentar, somava cerca de 20 votos dos 30 possíveis. Eram praticamente favas contadas. Acontece que Mian está viajando para o Nordeste e não conseguiu retornar a Franca em tempo hábil. Enviou uma procuração para que o vice o representasse. Não deu certo e mais uma vez o deputado francano ficou com cara de paisagem diante de mais uma derrota para Gilson de Souza. Nada daquilo que havia sido acertado de antemão valeu durante o encontro dos prefeitos da região. Mais uma vez, o parlamentar utilizou uma certeza que não se aplica em política. Na maioria das vezes, nada do que se acerta acaba sendo aprovado: falta combinar com todos os envolvidos neste tipo de situação. Do contrário, nada é conclusivo.
 
A continuar agindo desta forma, como um político inexperiente, Roberto Engler certamente verá seus planos escoarem ralo abaixo. Embora a presidência do Comam não tenha um peso apenas estratégico, o deputado francano vê-se mais perdido do que cachorro no meio de um tiroteio. Que se conscientize de que em política só vale o que é definitivamente aprovado. Do contrário, corre o risco de ver-se colocado de lado nos movimentos políticos de Franca e região, a menos de dois anos das próximas eleições proporcionais. Passar recibo de ingênuo pode prejudicar ainda mais os seus projetos futuros, pois perde espaço na política francana e o eleitor percebe isso.

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