INVERSÃO DE VALORES AMPLIA A VIOLÊNCIA E TINGE PÁGINAS POLICIAIS DOS JORNAIS
As páginas do Comércio, ano após ano, registram fatos que expõem a verdadeira inversão de valores à qual a sociedade brasileira em geral — e a francana, em particular — é submetida nos dias de hoje. Assassinatos brutais, que há poucas décadas eram exceção, hoje se tornaram banais. Agride-se, mutila-se e mata-se por nada. Nem as sociedades mais bárbaras, nos primórdios da civilização, registraram uma situação como a que vivemos na atualidade. São fatos que não podem mais ser encarados como banais ou corriqueiros.
Quem lê o Comércio já percebeu: as páginas policiais ganharam espaço, diante da violência registrada na região todos os dias, além de terem se tornado mais vermelho-sangue do que há poucos anos atrás. Até quando assistiremos impassíveis esta escalada sem que encontremos eco às nossas preocupações junto aos legisladores e administradores públicos?
Chegamos a um estágio preocupante, do qual não vemos qualquer remissão. Os fatos da ainda apontam para a falta de respeito, com grande desprezo pela vida humana e pela Justiça. A banalização da violência é um dos traços de nossa realidade atual, mas não há como se quedar diante deste quadro que desenha um futuro sombrio para a nossa civilização.
O brasileiro tem convivido, nas últimas décadas, com uma total inversão de valores: filhos ameaçam e atacam pais e irmãos, crianças matam em troca de um aparelho celular ou um par de tênis e a Justiça não dá uma resposta definitiva para quem se sente acuado, ameaçado e atacado dentro de seus lares. As páginas policiais continuarão se tingindo de rubro enquanto a legislação não mudar, acompanhando a evolução da própria sociedade. Um garoto de 16 anos, hoje, tem todas as condições de ser julgado e condenado por crimes graves. Não merece ser “contido” por poucos anos e depois ser devolvido à sociedade como se nada tivesse acontecido, independente do crime que cometeu.
Penas mais duras, enfrentamento corajoso à criminalidade infanto-juvenil e o fim de uma série de benefícios que mantêm marginais violentos e implacáveis soltos nas ruas são imprescindíveis para trazer de volta a sensação segurança que o brasileiro perdeu nos últimos anos. Junte-se a isso um sistema prisional falido, com penitenciárias superlotadas e comandadas por facções criminosas e se vê que a falta de uma providência urgente e definitiva tem que ser tomada. Do contrário, não se sabe o mundo que legaremos aos nossos filhos, netos e bisnetos. O que não pode é encarar a situação atual como normal.
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