Mudanças devem ser mais profundas


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FALTAM PROFESSORES COM FORMAÇÃO ADEQUADA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO
 
No momento em que se discute uma verdadeira revolução no ensino público brasileiro, vê-se que o setor vive numa encruzilhada: ao mesmo tempo em que nem todos os que deveriam estão na escola, a evasão escolar também contribui para o baixo aprendizado dos estudantes brasileiros. Junte-se a isso a formação inadequada de muitos professores, a falta de atrativo que a profissão exerce e os grandes problemas sofridos dentro das salas de aula, como desrespeito e ameaças, vê-se que a questão é muito mais grave do que fazem parecer aos administradores públicos e legisladores.
 
Enquanto a situação não for encarada como grave e atacada com perseverança e coragem, dificilmente teremos condições de formar nossos futuros profissionais com proficiência. Deve-se mudar tudo, a partir da base. Do contrário, só seriam feitos remendos incapazes de cobrir o rombo do setor educacional brasileiro. A ONG Todos Pela Educação, ao compilar dados do Censo Escolar 2013, constatou que a maioria dos professores do ensino médio no Brasil (51,7%) não tem licenciatura na disciplina em que dá aulas. Outros 22,1% dos docentes que estão nas salas do ensino médio não têm qualquer licenciatura.
 
A disciplina com maior deficiência é artes em que apenas 14,9% dos professores são licenciados. Língua portuguesa é a disciplina com mais professores dentro da sala de aula que se formaram na área (73,2%). Em física, 80,8% dos docentes não são formados na área; na disciplina de química, o índice é de 66,3%. Entre os que não têm licenciatura na disciplina em que dá aulas entram professores que não são especialistas na área — como o professor de física que dá aulas de química ou o formado em ciências sociais que dá aulas de geografia. Esses casos são permitidos pelo MEC (Ministério da Educação). Há ainda o problema dos profissionais formados em outras áreas que estão nas salas de aula, como o administrador que dá aulas de língua portuguesa no ensino médio. Isso é comum entre professores temporários.
 
Com salários baixos, um dos problemas é que a docência não atrai os jovens no ensino superior. Neste ano, o piso nacional do professor foi fixado em R$ 2.135,64, para uma jornada de 40 horas. Mesmo entre os que decidiram seguir carreira na sala de aula, a evasão da educação básica é cada vez maior. Insatisfação no trabalho e desprestígio profissional são alguns dos motivos apontados por quem prefere abandonar a sala de aula. Tudo isso deixa claro que enquanto não se resolver este problema, dificilmente a educação no País irá evoluir como se espera.

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