Uma boa promessa pro ano novo


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Uma famosa escritora americana concebeu seu último livro, que é de autoajuda, a partir da resposta de várias pessoas para a seguinte pergunta: o que é que te anima hoje em dia? Nada sei sobre o livro, mas achei a pergunta bem oportuna para iniciar mais um janeiro, quando normalmente reformulamos os planos e alimentamos os sonhos. Pelo modo como anda a vida, seguramente começar uma vida saudável, ou simplesmente emagrecer, deve constar da lista de muitas pessoas. E como o índice de fracasso nessas duas intenções é alto, pressinto a tristeza de quem há anos escreve essas palavras no início da agenda para ter que recolocá-las no ano seguinte sem que nada de efetivo tenha sido feito ao longo dos 12 meses, das 52 semanas, nem em quaisquer das 365 páginas da agenda que marcarão sedentários dia a dia.
 
Qualquer coisa que envolva mudança de hábito parece ser uma fera indomável na vida da gente, só que não é bem assim. O problema de se conseguir a tal da “vida saudável”, que por consequência traz o emagrecimento, é que será preciso cozinhar em casa o maior número possível de refeições para se obter uma dieta rica, variada e econômica.  Comer fora deve ser reservado para o prazer, para o passeio, a exceção e nunca a regra.
 
A moda inventa maneiras charmosas para dizer o óbvio, mas é verdade, comida de verdade é o que a gente deve comer, ou comida que a avó da gente reconhecia como sendo comida, ou ainda, leia o rótulo, se tiver escrito algo que a gente não identifica como comida, não é para ser comido. Ou ainda, comer o que a natureza deu para a gente comer. Ou, não comer aquilo que foi processado por uma indústria. 
 
Quando começamos pelos hortifrútis fica fácil, ninguém tem dúvida de que as frutas, legumes e verduras sejam comidas de verdade. E arroz e o feijão? São também - o fato de serem ensacados, polidos, não os desnaturam. E o macarrão de molho vermelho? É de verdade se o molho tiver sido feito de tomates: Pomarola, comida de mentira; tomate fresco ou o pelado, comida de verdade. O contra são sempre os aditivos químicos que conservam, que dão cores e sabores artificiais aos alimentos. Por isso, quando nós próprios fazemos a nossa comida a gente sabe exatamente o que foi utilizado ali, no jargão de restaurante, sem rasgueragem.      
 
Essa mudança irá trazer bem-estar ao corpo, mas vai também mudar a sua alma, inevitável, sinto muito.
 
A necessidade de disciplina e organização com as compras de casa, o aprendizado, vão fazer brotar um amor singelo por um chuchu, por exemplo. Olhar os alimentos, da forma como eles são, nos remete à terra, à água e às mãos que cuidaram deles. Quem sabe até nos levem às costas doloridas, por passarem o dia curvadas sobre legumes, ervas daninhas, adubos.
 
E o ciclo estará completo quando doer seu coração ao arremessar fora, no lixo, um pedaço qualquer dessa história.

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