Dinheiro nosso;lucro para eles


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CONSIDERAR A COISA PÚBLICA COMO PRIVADA É PRAXE NO BRASIL. ATÉ QUANDO?
Considerado comodista, conformista e alienado politicamente, o brasileiro tem dado mostras, nos últimos tempos, de que já não aceita esquemas que desviam dinheiro de impostos e tributos de ações básicas para movimentar falcatruas, corrupção e negócios escusos. A cada dia que passa fica cada vez mais claro que uma grande parcela da população não aceita que os cofres públicos sejam sangrados enquanto a educação, a saúde, a infraestrutura e o saneamento básico penam por falta de verbas. O brasileiro sofre em diversos setores, enquanto a classe  dos administradores públicos se contenta em levar avante uma política paternalista e assistencialista, com claros objetivos eleitoreiros.
 
Nosso povo, que busca receber de volta, em seu benefício, o dinheiro investido em impostos, se mostra incomodado com a forma como a res pública (literalmente, coisa do povo) é tratada, como se privada fosse. Os gestores públicos, ao serem eleitos, têm no mandato apenas uma procuração para tratar dos interesses de seus eleitores. E isso não acontece, na maioria das vezes. Fatos recentes mostram que o proveito pessoal (e as vaidades de certas figuras) torna-se mais importante do que as necessidades da maioria.
 
As investigações da Lava Jato, cujos reflexos causaram até a queda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a prisão de um senador em pleno exercício do mandato, além de colocar atrás das grades diretores das maiores empreiteiras do país, políticos e diretores da Petrobras. Na região, tivemos uma prova clara dessa situação, com a prisão de vereadores e da então prefeita Dárcy Vera (PSD), de Ribeirão Preto, por causa de desvios próximos aos R$ 300 milhões. O atual chefe do Executivo do município, empossado há menos de uma semana, já enfrenta uma greve porque não há dinheiro para pagar os servidores municipais. 
 
No final, quem irá pagar a conta? O contribuinte brasileiro, claro, que não recebe nenhum benefício em contrapartida. No caso da Petrobras, a gasolina brasileira é uma das mais caras do mundo e o programa energético — aí incluída a produção de etanol — anda para trás. Em Ribeirão, ele sofre com a paralisação de uma série de serviços, entre eles o atendimento ambulatorial de saúde, que está parado: só emergências estão sendo atendidas.
 
Até quando iremos permitir que nossos bens e recursos sejam geridos de forma temerária? Para os governantes fica fácil: aumentam mais os impostos para encobrir prejuízos, mantendo uma das mais altas cargas tributárias do mundo, sem que o dinheiro arrecadado traga compensações a quem abarrota os cofres do Tesouro Nacional. Até quando vamos permitir que esta situação perdure?
 
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