O promotor da Justiça Eleitoral de Ibiraci (MG), André Fernando Colucço, acusa a Coligação PSDB, PR e PSB, que disputou as eleições para vereador naquela cidade, de fraudar as eleições em outubro. Segundo o promotor, o grupo formado por 12 pessoas teria forjado a candidatura de duas mulheres apenas para atender a quota legal de 30% de pessoas do sexo feminino entre os candidatos.
Na investigação feita pelo Ministério Público de Minas, o promotor disse que ficou provado que as candidatas Zélia Nazaré das Neves (PSDB) e Maria José Cintra Norinho (PR) nunca tiveram de fato a intenção de disputar as eleições e só teriam se inscrito para preencher a exigência legal.
Em seu depoimento ao promotor, Zélia admitiu que não poderia fazer campanha política porque sofre com dores insuportáveis nas costas. Ela confessou que sequer votou em si mesma. Já Maria José, que é mãe de Gabriel (que também faz parte da coligação e disputou uma vaga na Câmara) e mulher do ex-vice-prefeito Chico Norinho (PR), outro candidato, disse que não fez campanha “pois seu filho Gabriel também concorreu ao cargo de vereador nas eleições”.
“Não restam dúvidas de que as duas candidaturas foram apresentadas pelos partidos apenas para cumprir a cota de gênero e, com isso, possibilitar a participação da coligação com a chapa completa nas eleições”, escreveu o promotor.
Ao todo, a coligação recebeu 1.029 votos e conseguiu eleger o vereador Chico Brandão (PSDB), que tomou posse no último dia 1º, mas por conta das irregularidades, o promotor ingressou com uma ação na Justiça pedindo a cassação do mandato de Chico Brandão e ainda que todos os mais de mil votos da coligação sejam considerados nulos.
Se os pedidos forem acatados, a anulação dos votos deve mudar o coeficiente eleitoral de Ibiraci e, consequentemente, toda a composição da atual Câmara.
A ação ainda não foi julgada. No site do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, consta que todos os 12 membros da coligação foram citados a apresentar defesa.
O Comércio tentou contato com o ex-vice-prefeito Chico Norinho, que também é presidente do PR, para que ele comentasse o caso. Mas ninguém atendeu ao telefone em sua empresa. A reportagem não conseguiu o seu telefone celular.
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