A imagem de um bebê morto nas margens de um rio em Mianmar causou comoção mundial.
Mohammed Shohayet, de 16 meses, aparece caído na lama, às margens do rio Naf, na fronteira entre Mianmar e Bangladesh. O menino da etnia Rohingya estava em uma embarcação com os pais, um irmão de 3 anos e um tio. A embarcação naufragou e somente o pai de Mohammed sobreviveu.
De acordo com o site G1, a família tentava fugir para Bangladesh devido à perseguição étnica que acontece em Mianmar. A etnia Rohingya é uma das minorias mais perseguidas do mundo, e os rohingyas são considerados imigrantes ilegais pelo governo birmanês.
A publicação afirma que 50 mil muçulmanos rohingyas já fugiram de Mianmar desde outubro de 2016, para escapar de uma operação do exército birmanês em resposta ao ataque de postos fronteiriços desta região por grupos de homens armados.
Os grupos que chegam a Bangladesh relatam atrocidades que seriam cometidas pelo exército, como torturas, assassinatos e estupros coletivos. O governo de Mianmar negava as alegações e dizia que a situação estava "sob controle", pedindo ainda que a comunidade internacional parasse de alimentar "o fogo do ressentimento".
Zeid Ra'ad Al Hussein, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, afirmou em dezembro que a reação do governo birmanês era "contraproducente e insensível". O caso de Mohammed Shohayet lembra o do menino Aylan Kurdi, de 3 anos, que também foi encontrado morto após um naufrágio.
Aylan morreu em 2015, em uma praia turca, quando sua família tentava fugir da Síria. A morte do menino levantou os debates sobre a crise migratória na Europa.
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