Empresa São José acelera corte de cobradores de ônibus


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Funcionários dizem que nos últimos três meses mais de 100 cobradores foram demitidos pela São José; usuários reclamam
Funcionários dizem que nos últimos três meses mais de 100 cobradores foram demitidos pela São José; usuários reclamam
A empresa São José intensificou a demissão de cobradores e a medida, de acordo com funcionários e passageiros, tem transformado a rotina diária de viagens em um grande transtorno. Somente nos últimos três meses mais de 100 funcionários que exerciam a função teriam sido dispensados e os motoristas assumiram a função em boa parte das linhas. Atrasos nos pontos, além da demora para o recebimento e troco, estão entre as principais reclamações. 
 
Além de se ocupar com a direção e abertura de portas dos veículos, os motoristas estão liberando as catracas, fazendo a cobrança do dinheiro e auxiliando a entrada de deficientes físicos e passageiros com dificuldade de locomoção nos ônibus. Os próprios funcionários relatam a sobrecarga após as mudanças promovidas pela empresa.
 
Há 2 anos e 7 meses na São José, um dos cobradores demitidos nos últimos dias relatou a situação de pressão e incerteza vivida pelos funcionários. “As demissões começaram no início de 2016 e nos últimos três meses se intensificaram. Já havíamos sido informados sobre as demissões e o objetivo da empresa é não deixar nenhum cobrador (trabalhando). Acredito que nas últimas semanas foram dispensados uns 100, e quem ficar já sabe que terá que exercer as duas funções”, disse ele, que pediu para não ser identificado.
 
Ainda segundo os funcionários, que pediram anonimato com medo de represálias, os motoristas são obrigados a assumir a função e, se negar a ordem, também é demitido. “A verdade é que os motoristas receberam um aumento ridículo de apenas 3% para se tornarem ‘motocobra’ e muitos estão ficando doente. Não é fácil esse trabalho, amigos meus estão afastados com depressão. Fomos avisados que as demissões continuam. Então, o jeito é se adaptar.”
 
A reportagem do Comércio acompanhou uma das linhas que não possui o cobrador e ouviu a opinião dos passageiros.
 
“Hoje ficamos 10 minutos no terminal somente para o motorista receber as passagens e dar troco. Em todos os pontos estão atrasando. A empresa cobra uma das tarifas mais altas do país e ainda oferece condições precárias para os passageiros e para os funcionários”, disse a estudante de psicologia Bárbara Alves, de 21 anos.
 
Para compensar os atrasos e cumprir os horários, segundo os passageiros, os motoristas correm. A aposentada Maria Augusta Barbosa Silva Fortunato, 63, moradora do City Petrópolis, conta que estava em um ônibus da linha do Leporace, quando o veículo passou rapidamente sobre uma lombada. “Caí e me machuquei toda. O pessoal da São José me levou direto para o pronto-socorro... Tem que voltar os cobradores, sobrecarrega demais os motoristas”, disse.
 
Os representantes do Sindicato dos Motoristas de Franca e da empresa São José foram procurados pela reportagem, diversas vezes na tarde de ontem, mas não retornaram o contato até o fechamento desta edição.
 
Já Wanderley Cintra, que assumiu nesta semana o comando da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), afirmou que ainda não teve tempo hábil para se inteirar da situação, mas afirmou que nos próximos dias deve se pronunciar sobre o assunto. 

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