Em áudio, empresária morta após lipoaspiração relatava dores e vômito constante


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A morte da empresária Michelle de Souza Pires, de 30 anos, aconteceu em 27 de novembro de 2016
A morte da empresária Michelle de Souza Pires, de 30 anos, aconteceu em 27 de novembro de 2016

A mãe de uma mulher de 30 anos que morreu depois de passar por uma lipoaspiração e uma abdominoplastia prestou depoimento na terça-feira, dia 3. Ela acusa os médicos que realizaram as cirurgias plásticas de negligência.

Cleide de Souza procurou o 13º Distrito Policial em Goiânia, Goiás, para levar os áudios enviados pela filha reclamando de dores após os procedimentos. A morte da empresária Michelle de Souza Pires, de 30 anos, aconteceu em 27 de novembro de 2016, aproximadamente 36 horas depois das cirurgias.

Em um dos áudios apresentados por Cleide, a filha reclamava de dores e que estava passando mal. "O ruim é que eu não posso nem me mexer na cama e vomitei umas 20 vezes", diz a empresária no áudio. "Estou só com uma dor do braço do lado direito e umas dorzinhas nos dois pés. Mas nos pés eu não sei por que não. A do braço deve ser porque a medicação foi tudo no braço", continua o áudio.

Cleide também fez vídeos mostrando a filha em uma cama com vários hematomas nos braços. Michelle morava em Morrinhos, Goiás, mas foi até a capital para realizar as cirurgias no Hospital Buriti, no Parque Amazônia. Para a mãe da empresária, a morte poderia ter sido evitado, caso o cirurgião plástico Pablo Rassi, responsável pelas cirurgias, tivesse oferecido suporte a Michelle. “Acho que houve negligência na parte de ele estar em contato com ela. Porque nós tentamos ligar para ele por várias vezes, mas ele não atendeu ao telefone”, afirma Cleide.

Na certidão de óbito consta que a empresária sofreu um tromboembolismo pulmonar, que é um coágulo que se forma nas veias e entope a artéria do pulmão. O delegado Manoel Borges contou ao site G1 que o depoimento de Cleide trouxe novos elementos à investigação. Ele revela que médicos peritos analisarão as condições clínicas da paciente antes dos procedimentos realizados.

"São informações que vão subsidiar nosso trabalho. Por exemplo, nós não sabíamos que ela tinha um quadro anêmico. Isso reflete na investigação. A mãe nos trouxe ainda que foi feito um enxerto de gordura nas nádegas e isso será analisado", apontou Borges.

A reportagem tentou contatar o advogado do médico, mas não obteve retorno. Quando depôs, em 22 de dezembro de 2016, o médico negou que tivesse ocorrido algum problema nas cirurgias. Na ocasião, José Antônio Domingues, advogado de Rassi, definia o caso como uma "fatalidade".

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