Esperança


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Os discursos proferidos pela maioria dos prefeitos — os que saíram e os que entraram — sugerem um quadro diferente daquele que nos foi pintado durante a campanha eleitoral e definiram nosso voto. Os que saíram falaram bem de seus governos e os que entraram não os contestaram. Mas a maioria dos novos prefeitos anunciou corte de secretarias e diretorias e de cargos comissionados, além de defender um novo estilo de administração. Tudo hipocrisia ditada pelo protocolo, já que na maior parte, quem assume é adversário do que quem sai e ganhou a eleição apontando seus erros. É o comportamento que o povo reprova.
 
De nada adianta o prefeito cessante dizer que deixou os cofres da Prefeitura em equilíbrio, se não consertou os buracos das vias públicas, praças ou executou serviços de sua responsabilidade. Também soa falso o novo prefeito exaltar a obra do antecessor se, para ganhar a eleição, criticou ferozmente. Mas tudo isso é página virada. Agora o que a população espera ação e providências.
 
Não basta os novos prefeitos anunciarem o corte de secretarias e de cargos comissionados. Isso é importante, mas constitui apenas uma parte do problema. É preciso tirar o serviço público do marasmo, chamando cada profissional à sua responsabilidade de ofício e promover a modernização dos processos de trabalho, para garantir que as ações ocorram dentro do prazo certo, por preço justo e, principalmente, sem os costumeiros aditamentos de contrato e reajuste de preços. A máquina pública tem de ser azeitada de forma a cumprir sua tarefa como se fosse uma empresa particular, onde o dirigente ou proprietário, para evitar a derrocada, reputa bem cada centavo empregado e exige que dele se obtenha a justa produção.
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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