Justo hoje, o primeiro texto do novo ano, gostaria de dizer algo bom, pois simplesmente não dá para começar, qualquer coisa que seja, de cara amarrada. Alguns vão dizer que dá no mesmo, que diferença faz o estado de espírito quando se está tecnicamente fazendo a coisa bem-feita? Não sei a resposta, não faço ideia, só sei, por experiência, que diferença tem. Dizer que o humor faz parte das grandes virtudes do homem parece pueril, frívolo, mas não, no mínimo ele nos resguarda de nos levarmos a sério, é ridículo os “ares” de importância. Sério e importante devem ser nossas atitudes, nunca, jamais, nós mesmos. “Um santo sem humor é um triste santo, e um sábio sem humor, seria mesmo um sábio?” Por certo, sobretudo pelo ano que passou, não nos faltam motivos para chorar, nem para rir, e qual seria a melhor atitude?
Olha só que coisa linda me fez sorrir nessa última semana de 2016. Fiquei sabendo que São Paulo, essa nossa S P, onde se diz não haver amor, ganhou o grande prêmio Mayor Challenge oferecido pela Bienal de arquitetura de Roterdã, por um projeto assustador, designado “Ligue os Pontos”. A Bienal holandesa recebeu projetos do mundo inteiro que oferecessem respostas ao tema: A PRÓXIMA ECONOMIA. Nós, brasileiros, enviamos um projeto que parece ter dado conta da proposta: um cinturão verde de agricultura familiar e orgânica instalado a volta da grande São Paulo. Os moradores dessas localidades, tão desprestigiadas e distantes dos polos “interessantes” da cidade, receberam dinheiro e capacitação para iniciarem uma roça, que já dá frutos. Aprenderam a plantar, a colher, a armazenar, depois vender em varejões montados por eles próprios sem necessidade de transportes! A capacitação vai além, entra a reciclagem do lixo e o aproveitamento do que é orgânico, que deverá voltar para o solo.
Como a produção é grande, parte dela já foi direcionada para a merenda escolar, 2 milhões de merendas diárias são incentivo para qualquer produtor rural. E tem mais, o prêmio recebido não é só moral, a cidade ganhou mais de 16 milhões de reais para investir nas suas áreas de borda. Compete ao poder público zelar pela aplicação desses recursos para fomentar o projeto e disseminar a ideia.
Há alguns anos aproveito esses dias paradões para aproveitar São Paulo. Foi a primeira vez que não vi as ruas e a avenida símbolo de São Paulo enfeitada para o Natal. Tola, lamentei um pouquinho, cega não enxerguei de onde vinham as verdadeiras luzes desse Natal.
Começo o ano de 2017 cheia de esperança, devolvo a vocês essa mesma energia.
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