Policial civil aposentado e empresário do setor imobiliário, Adérmis Marini Júnior, 46, está cumprindo seu primeiro mandato como vereador pelo PSDB. Foi reeleito no dia 2 de outubro com 5.823 votos; o terceiro mais votado.
Não foi sua única vitória. Há três anos, Adérmis concorreu como candidato a deputado, mas ficou na oitava suplência. Beneficiado por uma sucessão de fatores positivos, pulou desta posição para a condição de deputado federal. Agora, ele mal toma posse como vereador, neste domingo, no dia 1º de janeiro, e, na segunda-feira, pedirá afastamento do cargo para assumir uma vaga na Câmara Federal. Será o representante da região em Brasília. Adérmis falou ao Comércio sobre a repentina mudança na sua trajetória política.
Você começará 2017 como vereador e 24 horas depois será deputado federal. O que está passando pela sua cabeça, como define este momento?
A gente precisa assimilar. A partir do momento que estamos na política e que colocamos nosso nome à disposição, temos que estar preparados para todas as circunstâncias que a vida te coloca. Fui candidato a deputado há três anos e fiquei na oitava suplência. Disputei a reeleição para vereador e, ao mesmo tempo que vencemos, recebi esta notícia de que nossa vaga para deputado foi aberta. É muita informação ao mesmo tempo, mas o sentimento é de gratidão à população francana pela confiança. Agora, temos que fazer esta opção e assumir como deputado. Tenho consciência de que sou suplente e que posso perder a vaga a qualquer momento, mas vou me esforçar muito e me dedicar ao máximo para fazer um bom trabalho, pois a cidade carece de uma representação federal.
Já caiu a ficha que, na virada do ano, deixará de ser vereador para se tornar deputado?
Na semana passada, fui a São Paulo para tratar das questões referentes à posse e percebi que a forma das pessoas me tratarem já mudou. É preciso ter muito equilíbrio, pois você recebe ligações de deputados, ministros e já começa a falar direto com o governador. Estou com os pés no freio e me preparando. Pretendo continuar sendo acessível e fazer um mandato transparente e participativo.
Você era o oitavo suplente e foi chamado, privilégio que Graciela Ambrósio, Ubiali e Cassiano Pimentel, que eram primeiros suplentes quando disputaram, não tiveram. Você esperava ser convocado?
Durante uma viagem a Brasília, em 2014, o Duarte Nogueira (prefeito eleito de Ribeirão Preto, pelo PSDB) me disse que eu deveria me candidatar a deputado, pois o PSDB tem um histórico de até o décimo suplente assumir. Ele disse que o objetivo era eu sair maior do que eu estava entrando. Aceitei o desafio. Logo no primeiro ano, o governador chamou quatro deputados federais para integrarem o governo e eu subi para a quarta suplência. Embora fosse difícil, eu tinha uma certa expectativa e acabou se concretizando.
Você já tem em mente algo que planeja apresentar na Câmara Federal?
É prematuro ainda, mas venho estudando. A região precisa de representatividade. Há projetos federais que não foram instalados em Franca, muitas vezes, por falta de representatividade e por falta de união da classe política. Tenho em vista ideias de projetos federais, mas o grande desafio que temos é discutir os grandes temas nacionais, que interferem na vida direta do povo de Franca, do Estado e do Brasil, que são as reformas política, previdenciária e trabalhista. Tenho procurado me cercar de pessoas experientes e capacitadas, que vão nos ajudar a ter uma ideia de como vamos nos posicionar e apresentar projetos.
Logo de cara, você vai enfrentar a eleição para a presidência da Câmara Federal e deputados atingidos por delações da Operação Lava Jato. Está preparando para cair no olho do furacão?
Estou. Na semana passada, recebi um dado: 180 dos 513 deputados estão sendo investigados por algum caso de corrupção. É um momento difícil, mas estamos nos preparando para fazer o nosso trabalho. Temos que nos cercar das pessoas certas e experientes e com a qual você tenha um alinhamento ideológico e pela conduta ética.
Após 12 anos comandando Franca, o PSDB foi derrotado e deixará a Prefeitura. Você teve uma vitória particular por estar entre os três vereadores mais votados. A que você credita este resultado diferente do obtido pelo PSDB?
Acho que a forma pela qual desempenhamos nosso mandato. Foi um mandato de coragem e, muitas vezes, contrariando o partido, que era comandado pelo prefeito Alexandre Ferreira. Fizemos um trabalho participativo e transparente. Isto foi um grande diferencial e é o que pretendemos fazer na Câmara Federal. Espero fazer transmissões pelas redes sociais e explicar o que estará sendo votado. Continuarei ouvindo a opinião da população.
Você recebeu críticas por ter aberto mão da vaga de vereador para se tornar deputado. O que tem a dizer a respeito?
Quando disputei a eleição para vereador, era mínima a chance de eu assumir em Brasília. A vaga apareceu e jamais poderia abrir mão. Franca não tem deputado federal e vereador temos 15. Como deputado, tenho muito mais possibilidade e condição de trabalhar em benefício pela cidade e região.
Você iniciou o mandato de vereador como líder do prefeito na Câmara e terminou votando pela cassação de Alexandre Ferreira. Por que rompeu com o prefeito?
A decisão política tem que ser compartilhada. Como líder, sempre reclamei que gostaria de ser convidado para discutir projetos e ideias para poder tomar uma decisão em conjunto, mas isso não aconteceu. O prefeito tomava a decisão e queria que a gente defendesse a opinião dele. Isto gerou um mal estar, pois tenho minhas convicções. Foram três fatos em que ele tomou decisão e eu tinha posição contrária. Por isto, acabamos rompendo. Em relação à cassação, votei favorável por conta dos fatos, baseado em documentos e na investigação do Ministério Público. Não houve por parte do prefeito uma movimentação para resolver o problema a partir do momento em que as denúncias vieram à tona. O político precisa ter coragem para tomar decisões.
Ficaram sequelas na relação entre Adérmis e Alexandre Ferreira?
Ah, sim. A gente tinha uma relação muito próxima e, há quase dois anos, não temos mais contato. Não por mim, mas por ele. O Alexandre não me dirige a palavra e não me cumprimenta mais. Divergências são normais na política. Tive grandes embates na Câmara com o Márcio do Flórida, que era do PT. Mas, ficava ali dentro do contexto político. Tenho com o Márcio um grande relacionamento. O fato de termos posicionamentos diferentes não quer dizer que somos inimigos. O Alexandre levou isto para o lado pessoal, mas não foi só comigo. Hoje, nove vereadores não têm qualquer tipo de relacionamento com o prefeito.
Como deverá ser o relacionamento do deputado Adérmis com o prefeito Gilson, que foi seu adversário nas eleições?
Eleição é eleição. Agora, temos que trabalhar pela cidade. O Gilson é uma pessoa acessível, de fácil trato. Acredito que vamos ter uma boa relação. Assim que tomar posse, a primeira autoridade que pretendo procurar é o prefeito da minha cidade. Vou pedir uma audiência e me colocarei à disposição para ajudar.
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