NO BRASIL, GASTA-SE MUITO COM AS INTERNAÇÕES DE VÍTIMAS DO TRÂNSITO
O Brasil está aparecendo, nos últimos anos, com um destaque negativo em diversos rankings mundiais. A educação vem despencando, os indicadores de saúde estão cada vez piores, o trânsito continua causando mais vítimas do que guerras, a corrupção provoca perdas bilionárias e a violência é um destaque à parte. No caso do trânsito, as perdas são imensas e desvia dinheiro que poderia estar sendo aplicadas para a melhoria dos demais índices. Por ano, o Brasil registra cerca 35 mil mortes que custaram US$ 13,9 bilhões (cerca de R$ 29,6 bilhões) ao País. Além das perdas irreparáveis para as famílias das vítimas, os custos oneram toda a sociedade, que sustenta, com o pagamento de impostos e contribuições, o sistema de saúde pública, responsável por grande parte do socorro às vítimas.
Anualmente, segundo o Ministério da Saúde, o SUS registra 155 mil internações decorrentes de acidentes de trânsito, as quais representaram despesas de mais de R$ 200 milhões para o governo. Esse valor poderia ser mais bem utilizado na própria área da saúde, custeando a construção de 140 Unidades de Pronto Atendimento com funcionamento 24 horas para o atendimento de urgências e emergências. No mínimo, o “custo acidente de trânsito” deve ser o dobro do indicado pelo SUS, pois ele se refere apenas às internações na rede pública hospitalar. Ficam de fora dessa conta outros custos bastante elevados: socorro imediato às vítimas através do Samu, atendimento em prontos-socorros e longos processos de reabilitação de pacientes. Levantamento do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) chegou ao astronômico valor de R$ 22 bilhões anuais, ou cerca de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto). Para chegar a esse valor o instituto se valeu de todos os gastos gerados pelos acidentes de trânsito, isto é, desde os danos ma
teriais até os gastos com atendimento e prejuízos pela interrupção do trabalho. Esse valor representa mais do que o total do orçamento do Ministério da Saúde.
Como se pode ver, além das verdadeiras tragédias que os acidentes de trânsito causam a milhares de famílias do País, os seus custos atingem um valor que seria bem vindo para melhorar o atendimento de saúde e o nível educacional do Brasil. Como o Comércio sempre fez questão de ressaltar, o motorista brasileiro precisa urgentemente se conscientizar deste grande problema, causando, na maioria das vezes, por ele mesmo. Exigir melhores vias e veículos mais seguros pode reduzir os números trágicos. Somente a partir do momento em que condutores de carros e motos agirem com maior cautela é que a questão possa ser resolvida de vez.
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