Embora muitos ainda busquem ignorar, vivemos num ‘País que apresenta profundas diferenças sociais. Até nos centros mais desenvolvidos a miséria ainda continua a participar do cotidiano de famílias, principalmente neste momento de crise, quando trabalhadores perdem emprego e não encontram saída. O Natal faz aflorar este sentimento de solidariedade e de benemerência, dentro dos ensinamentos daquele cuja data lembra o nascimento. Não é preciso ser cristão para que nos toquemos com situações como as narradas pelos órgãos de mídia nesta época do ano, quando crianças -- principalmente -- enviam cartas a Papai Noel pedindo simples brinquedos, comida e até um emprego para o pai; Muitos se dispõem a ajudar, mas há quem vire as costas para este tipo de situação, fazendo de seu Natal, antes, a festa da fartura e da abundância quando ainda há milhões que não têm o que colocar na mesa uma refeição decente.
Hoje, a data deveria voltar a ser mais dedicada a Jesus Cristo do que a Papai Noel. A solidariedade precisa ser exercitada também durante todos os dias de nossas vidas. Quando se vê que falta ao mundo mais paz e amor, com conflitos armados vitimando inocentes, perde-se um pouco a esperança no mundo. E a situação não está apenas difícil no Oriente Médio, chegando Berlim (Alemanha), onde um fundamentalista matou mais de 20 pessoas e feriu outras dezenas ao invadir um mercado de Natal lotado. Vivemos uma época triste, onde o amor e a compreensão humana estão sendo abandonados. Muitas vezes, um gesto de carinho, uma palavra de conforto, um afago são mais confortantes do que um prato de sopa. O que importa é o gesto, a atenção e a disponibilidade neste mundo violento, onde se perde a confiança no próximo e a esperança num futuro melhor.
Neste momento de crise, onde se vê que fortunas são desviadas dos cofres públicos e a corrupção sonega até medicamentos básicos aos mais necessitados, quem tem condições deve auxiliar aqueles que mais precisam. O importante é que a ajuda não fique restrita apenas à época. Deve se estender para todos os dias do ano, já que as necessidades não serão sanadas só na data dedicada ao nascimento de Jesus Cristo. Como diz um conhecido provérbio judaico, “quem salva uma vida salva a humanidade”. E como o aniversariante deste 25 de dezembro deixou claro, “fora da caridade não há salvação”. Doações ajudam a salvar vidas, matando a fome e vestindo convenientemente quem não tem condições de fazê-lo por meios próprios. É hora de começarmos, lembrando que a tarefa nunca estará terminada. Faz bem para os olhos, para o coração e para a alma.
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