Buranelli: 'Vou sair de cabeça erguida, sem problema'


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O tenente Buranelli
O tenente Buranelli
Durante os três mandatos consecutivos em que o PSDB comandou Franca, o tenente Sérgio Buranelli, 62, ocupou postos estratégicos na administração. No primeiro ano do governo Sidnei Rocha, foi o chefe de segurança da Guarda Civil. Em 2009, com a reeleição do então prefeito, assumiu o comando da Secretaria de Segurança do município. Foi mantido no cargo por Alexandre Ferreira e acumulou mais as funções de diretor de trânsito e presidente da Defesa Civil do município. Agora é hora de se despedir. Buranelli já está limpando as gavetas. A partir do dia primeiro de janeiro, seu lugar será ocupado pelo professor por Orivaldo Donzelli. Antes da despedida, o tenente recebeu o Comércio para esta entrevista.
 
Qual avaliação o senhor faz sobre o período em que comandou a secretaria?
O trabalho foi muito intenso. Acumulei três funções e fizemos tudo com responsabilidade e resultado. Avalio que o resultado foi positivo. Durante minha passagem pela Prefeitura, aprendi e ensinei. 
 
Qual o principal trabalho realizado? Qual será o legado que o senhor deixará?
Fizemos intervenções importantes no trânsito, que eu acredito terem sido muito positivas. Destaco as mudanças que fizemos nas avenidas Adhemar de Barros e Santa Cruz. Até então, lá era mão dupla e aconteciam vários acidentes. Colocamos mão única e conseguimos zerar as ocorrências naquela região. A instalação das travessias elevadas conferiu maior segurança para os pedestres, deficientes, idosos e cadeirantes.
 
O senhor foi muito criticado, justamente, pelas alterações feitas na região da Adhemar de Barros e pelas inversões na mão de direção de várias ruas. Foi acusado de não ser especialista em trânsito e de fazer mudanças sem critério. Como avalia as críticas?
Aqui, na Secretaria, temos um grupo, inclusive, a diretora-técnica tem mais de 16 anos de trabalho específico no trânsito. Ela tem habilidade funcional para assinar os projetos da área. Eu não estava sozinho. Franca é uma cidade que está em pleno crescimento. Nossos motoristas não têm o hábito de aceitar mudanças. A gente ouvia muito: “esta rua é assim há 30 anos porque você quer mudar?” A cidade precisa passar por mudanças. As pessoas que criticam, muitas vezes, não têm o conhecimento técnico do trânsito. As mudanças que fizemos nunca resultaram em ações de indenização contra nós por termos causado algum problema. Então, nós acertamos. Não temos nenhuma ação por erro ou omissão do nosso trabalho.
 
O senhor é favorável à implantação de uma companhia de engenharia de tráfego em Franca?
Não é qualquer cidade que comporta uma área de engenharia de trânsito. O custo é elevado, os salários são muito altos, incompatível com a nossa realidade. Teve uma época em que eu recebi a missão de buscar um profissional. O salário inicial era de R$ 12 mil. O município não tem condições de arcar com isto. É necessário, a cidade precisa? Sim, mas não são profissionais que achamos com facilidade e que temos condições de pagar. 
 
O senhor acumula os cargos de secretário e chefe do trânsito. O prefeito eleito Gilson de Souza nomeou um diretor específico para o setor. O senhor é favorável ao desmembramento?
Este período em que passei aqui acumulando as funções foi sobrecarregado, não tínhamos tempo para nada. Às vezes, costumo brincar que o nosso dia era de 36 horas. O desmembramento vai facilitar para que o trabalho seja melhor realizado. Se você tem um responsável direto pelo trânsito, ele vai cuidar especificamente daquela área. Ele terá mais condições de ir para a rua, fazer levantamento de campo, verificar, ouvir e analisar o que está acontecendo nos momentos de pico. Acredito que vai trazer, sim, benefício para o setor.
 
Qual a principal dificuldade que o coronel Benedito, futuro responsável pelo trânsito, vai enfrentar? Qual deve ser a prioridade?
O que precisa ser feito na cidade, nós sabemos. Não é uma coisa que eles vão chegar aqui e descobrir. Precisamos de grandes obras. Por exemplo, Distrito Industrial: ali, tem que fazer viadutos. Na vila São Sebastião, o que vai resolver é a construção de uma ponte para melhorar o escoamento do fluxo de veículos. A região da Unifran e Leporace também precisa de pontes. São obras estruturais que vão resolver o problema. Não é, simplesmente, mudar ruas. São obras de grande porte, que custam muito dinheiro. Algo em torno de R$ 50 milhões cada.
 
O senhor quer dizer que não basta apenas boa vontade?
Na realidade, boa vontade nós temos muito. O que falta é dinheiro para fazer uma obra que facilite a circulação e a fluidez. Na vila São Sebastião, só tem uma entrada e saída no bairro. No sentido centro/bairro, depois da ponte, a rua é estreita e afunila. É preciso outra ponte para resolver o problema, não tem outro jeito.
 
Outro problema sério que trava o trânsito é a falta de sincronia dos semáforos. Como resolver isto?
Os semáforos ficam ligados 24 horas. No período de chuvas, as descargas elétricas interferem nos equipamentos. É preciso ter equipe de prontidão constantemente. Se der pane no fim de semana, é preciso ter gente para resolver o problema.
 
O que é preciso fazer para tornar a Guarda Civil mais eficaz e ajudar as polícias a conter a criminalidade?
Franca precisa aumentar o efetivo da Guarda. Temos apenas 57 guardas, o número está muito defasado. Muitas cidades estão transformando as guardas em polícia municipal. Tem uma lei federal, que foi sancionada pela antiga presidente, dando poder de polícia para a guarda. Após a aprovação de uma lei pela Câmara autorizando, a guarda pode trabalhar no trânsito, fazer busca, apreensão e uma série de atividades policiais.
 
Por que isto não implantado ainda em Franca?
É preciso aprovar uma lei regulamentando. Saiu uma lei federal e cada município precisa se adequar de acordo com sua necessidade.
 
O senhor é o responsável pela Defesa Civil do município. Franca está preparada para enfrentar um ocorrência de grande porte?
Nenhuma cidade do mundo está preparada para enfrentar a força da natureza. O que podemos fazer é ter meios e equipamentos para poder amenizar o problema causado. Temos um plano de chamada, com escala de plantões e contato direto com os funcionários da Secretaria, da Prefeitura e das polícias Civil, Militar e Bombeiros. Se acontecer algo grave, todos têm que colocar o pé na estrada e trabalhar.
 
Como o senhor deixa o serviço público após 12 anos?
Me desligo da Prefeitura com a consciência tranquila e certeza do dever cumprido. Sempre pautei meu trabalho pela moralidade e legalidade. Não tenho nenhum processo, nenhuma denúncia ou problema com o Ministério Público ou Justiça. Mandados de segurança tivemos vários, pois aplicamos a lei. Vou sair de cabeça erguida, ficha limpa, sem nenhum problema.

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