Os problemas herdados por Gilson de Souza (DEM) não param de crescer. Depois da suspensão dos cargos comissionados e da indecisão quanto à atribuição de aulas dos professores, agora são as entidades que administram creches que ameaçam abandonar os atendimentos municipais, o que pode atingir 20 creches e mais de 3 mil crianças.
O problema, segundo o presidente da Associação das Creches Comunitárias, que congrega 20 das 59 creches municipais, Donício Cruz Antunes, é que os repasses de recursos feitos atualmente pela Prefeitura não tem coberto os custos de manutenção dos atendimentos nas creches.
De acordo com ele, a defasagem vem desde 2014 e se agravou agora em 2016. “Neste ano, já estamos fechando com um déficit de 2,5%. E para o ano que vem, esse valor deve subir para cerca de 6%. Não teremos como manter a mesma qualidade de atendimento”, disse.
Donício esteve na Câmara Municipal na última terça-feira. Ele apresentou um relatório em que mostra a diferença entre o percentual de aumento dos custos e o dos reajustes da Prefeitura. “Para 2017, o orçamento aprovado prevê um aumento de 7,6%, mas calculamos que os custos devem subir algo em torno de 10%”.
Donício disse que tentou negociar com a atual administração um repasse maior, mas não houve acordo. “Eles (governo Alexandre Ferreira) fizeram até um levantamento chamado de referencial técnico, apontando as condições de cada unidade e os valores necessários para manutenção do atendimento. Chegamos a negociar um acordo, mas não deu certo”.
Segundo o estudo, o ideal seria que por cada criança de até 2 anos, as creches recebessem R$ 600 por mês e para as que têm mais de dois anos o valor seria de R$ 500. Atualmente, os repasses são de R$ 452,6 e R$ 311, respectivamente.
O presidente da Associação disse que, sem o reajuste, muitas entidades que hoje gerenciam creches devem desistir do serviço. “Haverá uma debandada em massa. Não temos outras alternativas. Como vamos ficar com a responsabilidade de cuidar de crianças sem ter condições para isso?”, questionou.
A desistência deixaria as 20 creches da associação sem administradores, o que atingiria 3 mil crianças (cerca de 40% do total hoje atendido em creches). “É muito sério o que estamos enfrentando. Já fiz um alerta para que o novo governo nos ajude e também procurei os vereadores”.
Segundo Donício, pelo menos duas unidades já estariam enfrentando problemas. “No Riviera, a diretoria da entidade que atende lá desistiu e tiveram que substituir. No Jardim Paineiras, a entidade já protocolou um ofício informando que não quer mais a responsabilidade. Só não saiu ainda porque a Prefeitura pediu prazo de 90 dias”.
Futuro
O coordenador da transição e futuro secretário de Finanças, Sebastião Ananias, disse que ainda não teve acesso aos dados sobre repasses para as creches e que, por isso, não tem como se posicionar a respeito. “Já fiz a solicitação das informações, mas estamos enfrentando problemas para obter respostas.” Ele disse que só quando puder estudar os repasses poderá se posicionar a respeito.
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