TEMER TENTA AQUECER ECONOMIA, MAS DEPENDE DA BOA VONTADE DO CONGRESSO
O presidente Michel Temer (PMDB) está tentando fazer a sua administração decolar. Nos últimos meses, uma série de ocorrências políticas envolvendo os Três Poderes da República causou uma completa letargia que ainda perdura. As primeiras medidas apresentadas pelo Planalto há pelo menos seis meses foram aprovadas somente agora. E, pelo andar da carruagem, só deverão ter algum efeito prático a partir de meados do ano que vem, com a criação do teto para gastos públicos. Mesmo assim, pouco se sabe da sua eficácia, principalmente depois que a Câmara dos Deputados aprovou um “pacote de bondades” que permite aos Estados aumentar o seu endividamento, retirando as contrapartidas exigidas pelo governo. O projeto gestado pelo Ministério da Fazenda foi totalmente desfigurado, repetindo o que já se fez em outras ocasiões.
Depois disso, na expectativa de aprovar a reforma da Previdência, Temer tem atirado para todos os lados. Vai apresentar em fevereiro uma proposta para fexibilizar as relações de trabalho, aumentando o poder dos sindicatos nas decisões, além de anunciar a possibilidade de o trabalhador sacar parte do seu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e garantir a redução dos juros dos cartões de crédito à metade. O presidente está tentando, mas tem uma tarefa inglória nas tratativas com o Congresso Nacional (que tem grande parte de seus membros encalacrada diante das delações das empreiteiras na investigação da Lava Jato). Rápidos em aprovar matérias que os beneficiam, deputados e senadores já provaram que não lhes interessa resolver com celeridade a crise que há dois anos mergulha o País nas águas turvas da incerteza.
Nossos parlamentares deverão aproveitar o final de dezembro e os dois meses seguintes para desaparecer de Brasília, como sempre fazem. A seguir neste passo, com certeza, as negociações só devem ser retomadas depois do Carnaval. E isso será ruim para o Brasil, já que a crise não vai esperar. Mesmo com a inflação dentro da meta, há muito o que se fazer para promover a retomada do crescimento. Os brasileiros, que estão vendo a deterioração no mercado de trabalho que tem afetado até os vencimentos daqueles que conseguiram manter o emprego, não podem mais esperar a boa vontade dos parlamentares. A adoção de medidas emergenciais urge e só o que se anunciou até agora talvez não seja suficiente. É preciso reduzir o custeio da máquina estatal, inclusive cortando mordomias que contemplam os legisladores brasileiros, sonegando servicos públicos de qualidade para a grande maioria da população.
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