Algo contagiante acontece nos últimos momentos que antecedem o 24 de dezembro... lojas cheias, trânsito impossível...todo ano a mesma coisa...a correria para dar presente aqui e ali, retribuir, etc....
Aceitei, internamente, a crise brasileira (e internacional). Para os amigos, livros: pensei cuidadosamente sobre o tipo de leitura que os agradaria. Para os mais chegados, vasculhei minha biblioteca à procura daqueles que me chamaram a atenção, mas continuaram intactos, à espera de tempo para ler. Disponibilizei, aos mais íntimos, a lista para que elegessem os seus preferidos e também para que eu conferisse se pensei bem nos amigos, ao imaginar suas escolhas.
Livros são homenagens à sensibilidade e inteligência. Abrem novos natais.
Para os filhos, a Necessidade: mãe da consciência clara, a Necessidade é a base de maduras decisões. Assim me norteei para presentear marido, a mulher que trabalha em casa, aos que estou agradecida pela atenção que disponibilizaram comigo; pela significativa cooperação – neste difícil ano - para que meu corpo permaneça saudável e meu espírito iluminado pela confiança e fé nas pessoas.
Decidi, outrossim, que dispensaria as “lembrancinhas”, lembrando-me de que cada uma delas teria gasto de energia cósmica – cara nos dias de hoje – água, líquido precioso, e o trabalho escravo (em geral, embutido nos onipresentes produtos chineses). A pessoa que recebe a tal lembrancinha nem sempre fica agradada, não sabendo o que fazer com ela..
Escuto críticas de pessoas que recebem as lembrancinhas...os “amigos secretos” nem sempre agradam...etc...
Afinal, o que precisamos no Natal? De lembrançonas! De sermos lembrados pela nossa camaradagem, pela nossa solidariedade, pelo afeto e amizade, pela lealdade. Pelo amor e cuidado que dispensamos uns aos outros, pelo reconhecimento de que fomos preciosos, até mesmo necessários, no caminhada anual, dia a dia.
Presentes são simbólicos, mesmo míticos, como os dos Reis Magos:
O ouro pode representar a realeza (além providência divina para sua futura fuga ao Egito, quando Herodes mandaria matar todos os meninos até dois anos de idade de Belém). O incenso pode representar a fé, pois o incenso é usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Salmos 141:2). A mirra, resina antisséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19:39-40), sendo que estudos no Sudário de Turim encontraram estes produtos.
O meu ouro são livros –uma providência que alimenta a nossa presença no mundo, sempre precária e transitória. O incenso é a minha renúncia às “lembrancinhas”, lembrando que o planeta pode morrer, e, enquanto humanidade, vamos junto. A mirra é o meu tempo-perfume, gasto “embalsamando” os amigos no meu coração, criando um espaço eterno na alma para o que me ofereceram nesse ano que se encerra, sabendo que alguns continuarão comigo, outros talvez fiquem pelo caminho...mas permanecem relíquias sagradas.
Natal, em 2016, é de reconhecimento pela boa companhia em tempos turbulentos, pela fé no humano - para não nos tornarmos Herodes - e redobrarmos a atenção para não assassinar, por inveja e medo, nossas criancinhas (projetos são bebês e contêm crenças e valores).
Natal: leve a velha e nova mensagem: que há amor entre nós. Em cada um de nosotros, saudemos o Deus que nos habita:
Namastê. Shalom. As-Salamu alaikum. Emmanuel.
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