PREFEITO E VEREADORES DE DESPEDEM COMO SE FOSSEM OS DONOS DA CIDADE
A uma semana da posse do prefeito Gilson de Souza (DEM) e da nova Câmara Municipal, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e os atuais vereadores, que deixam os cargos no último dia do ano, resolveram repetir no seu ocaso as lambanças que protagonizaram durante os últimos quatro anos de mandato. Foi uma despedida melancólica e triste, deixando claro que o eleitor francano agiu com acerto ao promover uma renovação no Legislativo, escolhendo nove novos membros e dando a chance ao veterano político (ex-vereador e ex-deputado estadual) Gilson de Souza para administrar o município. Para nossa sorte, dificilmente eles conseguirão superar prefeito e vereadores que deixam os cargos.
Nem o fim do mandato impediu Alexandre Ferreira de fazer bobagem, ao tentar nomear servidores aparentados de alguns de seus auxiliares. Ele contrariou o pedido do novo prefeito que vê a receita da municipalidade perigosamente comprometida com o pagamento dos salários, próxima do limite determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal que, se for ultrapassado, pode colocar o administrador público na cadeia. Por sorte, atento, o novo secretário de Finanças, Sebastião Ananias, acionou a Justiça que barrou as nomeações. A atitude de Ferreira foi irresponsável, mostrando bem o desprezo do ainda chefe do Executivo para com as boas práticas administrativas, colocando de lado o interesse de todos para focar nas demandas de alguns poucos. Por sorte, falta só uma semana.
Já a Câmara Municipal foi mais além: votou na sua última sessão, em regime de urgência, um projeto permitindo a venda de bebidas alcoólicas em estádios e ginásios esportivos do município, derrubando parecer contrário da Comissão de Justiça do próprio Legislativo. Agora, a matéria depende de sanção do prefeito. O problema não foi a aprovação em si — embora haja uma lei estadual determinando a proibição, a qual se sobrepõe à legislação municipal —, mas a forma como foi feita: sem maiores discussões, sem que fossem ouvidos os interessados na aprovação e os que defendem a proibição. Trata-se de uma matéria que não exigia a votação em regime de urgência, ainda mais que se trata de uma lei que, se sancionada, pode causar grandes impactos sociais.
Desta forma, o prefeito e os vereadores deixam suas cadeiras repetindo o que foi feito ao longo dos últimos quatro anos, sem que os seus eleitores fossem consultados a respeito. A esperança é que Gilson de Souza e os novos componentes da Câmara Municipal realmente trabalhem no sentido de corrigir os erros e fazer Franca voltar a avançar, econômica e administrativamente. Com certeza, pior do que está não fica, para o alívio de todos os francanos.
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