Escrevo poemas:
escravo dessa tua mão alva,
do teu toque tímido;
de tanto desvelo.
Lúcido, o teu olhar.
Sabes bem onde repousas?
Serás protagonista de minhas rapsódias.
Afundarás comigo a mil metros
de profundidade nas águas escuras
deste pélago, aquém, desta bulha
das vagas, do nervoso mar contra
as rochas, que são, as lembranças
pesadas
Este som que ouves no cais
é baque de insatisfação.
Mas se juntos, as tormentas de
outrora deixarão de balouçar
as superfícies de nossos
oceanos
Garanto:
na profundidade escura
teus abraços são única
matéria possível para constituição
do âmbar que me escapa
ao digerir nossas próprias poesias
Seguirás uma alma de cachalote,
que só afunda, em constante fuga
às eternas internas solidões marítimas
Ficaremos sós,
eternamente submersos,
na imensa imensidão imersa
e, em que, a certa profundidade:
só se será possível ver a chama,
a flama de nossos encontros
noturnos de água sagada
E tudo o mais
é que será:
o impossível
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